Mais de um terço das empresas norte-americanas em Portugal sentiu um impacto negativo das tarifas impostas por Donald Trump. A conclusão é do barómetro da câmara de comércio luso-americana (AmCham).

Entre os gestores inquiridos sobre a influência das tarifas, 37% responderam que as tarifas provocaram um aumento nos custos ou competitividade dos seus produtos/serviços.

Já 3% disseram ter saído beneficiados, com a redução de concorrência. E 39% disseram não ter tido um impacto relevante, com outros 21% a responderem: não sabem/não aplicável.

Por outro lado, medindo o impacto das tarifas, 34% dos inquiridos responderam que as tarifas tiveram ‘algum’ impacto, com 8% a responderem que tiveram ‘muito’ impacto. Já 34% respondeu que sentiu ‘pouco’ impacto e 16% não registou ‘nenhum’ impacto.

Presente na apresentação do estudo, o secretário de Estado da Economia defendeu que Portugal tem de continuar a fazer negócios com os EUA, apesar da instabilidade comercial, criada por Donald Trump.

“Os EUA têm um papel importantíssimo. Independentemente das circunstâncias, é um mercado onde as empresas têm de continuar e fazer uma aposta”, disse João Rui Ferreira.

“Não é um mercado de volume, é de valor. Os Estados Unidos não é quanto exportamos, mas o valor acrescentado. É uma parte importante da rentabilidade, é um mercado com capacidade aquisitiva muito importante”, acrescentou o governante.

João Ferreira Dias destacou que o valor médio das exportações “é importante para manter a rentabilidade e competitividade”.

E defendeu: “somos um país iminentemente atlântico. Temos uma relação umbilical que tem de ser mantida”.

No inquérito realizado pela PwC para a AmCham, questionados se ajustaram as suas estratégias comerciais, 26% dos inquiridos responderam que sim, com o restante a responder que não.

E como mitigaram os impactos das tarifas? As empresas aplicaram várias estratégias em simultâneo, incluindo acordos comerciais e parcerias estratégicas (50%), otimização de custos internos (40%) ou localização da produção (30%).

O barómetro realizado pela PwC para a AmCham também inquiriu os gestores americanos em Portugal sobre as suas expetativas para a economia nacional, com 16% a revelarem-se ‘pessimistas’ e 2% ‘muito pessimistas’ sobre o desempenho da economia portuguesa. Do total, 47% revelam estar ‘otimistas’ com a previsão e 4% ‘muito otimistas’; 31% dizem manter-se ‘neutros’.

No seu negócio, 78% esperam ‘aumentar’ o volume de vendas, com 22% a prever ‘manter’. Já 65% prevê ‘novos investimentos’ da sua empresa.

Em termos de força de trabalho, 54% prevê um aumento das contratações, com 32% a prever a manutenção e 12% a preverem a redução do número de trabalhadores.

Em Portugal, os maiores desafios que os gestores identificam para as suas empresas são a competitividade no mercado, a complexidade regulatória e os processos burocráticos, e a cibersegurança.

Para o país, os maiores desafios identificados são a complexidade regulatória e os processos burocráticos, a dificuldade em atrair e reter talento qualificado e a instabilidade económica/recuperação incerta.