A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) pediu esta sexta-feira ao Banco Mundial que alivie as exigências propostas para o acesso ao financiamento, principalmente para as Pequenas e Médias Empresas (PME) nacionais.

Falando aos jornalistas à margem de uma reunião com o Banco Mundial, o representante da CTA, Kekobad Patel, disse que, com o novo Quadro de Parceria (CPF) a cinco anos, de cerca de três mil milhões de dólares (2.550 milhões de euros), recentemente anunciado pelo grupo financeiro para o país, há a necessidade de avaliar as exigências para aceder a esses financiamentos, por serem, de certo modo, “proibitivos para pequenas e médias empresas”, que constituem a maioria no país.

“Esta é uma das preocupações que o Banco Mundial está neste momento a avaliar, ver como é que essas facilidades podem ser mais acessíveis junto dos empresários moçambicanos”, avançou.

Segundo Kekobad Patel, com a nova abordagem proposta, há a perspetiva de maior envolvimento do setor privado, permitindo que os programas sejam mais objetivos e tragam maiores resultados.

“O tecido [empresarial] moçambicano é, essencialmente, de pequenas e médias empresas. É para elas que, portanto, vai ser encontrada uma solução, de maneira a elas terem melhor acesso [aos financiamentos]”, acrescentou.

Zarau Kibwe, director executivo da Primeira Constituência Africana do Banco Mundial, disse, por seu turno, que a reunião serviu também para explorar os setores para novos financiamentos.

“Discutimos o número de áreas onde pensamos que o Banco pode apoiá-los, começando pelo agronegócio. Como todos sabemos, a maioria da população aqui depende da agricultura, então a agricultura é um desses setores. O segundo setor que discutimos entre os membros [da CTA] é a oportunidade no setor do turismo”, explicou, acrescentando que o setor logístico também esteve em análise, como uma das áreas para transformar a economia do país.

Foi igualmente discutido de que forma a Banca do Mundo pode trabalhar com o Governo e com o setor privado para melhorar o ambiente de negócios e apoiar investimentos locais em Moçambique.

“Eu acho que o país tem tudo o que precisa para transformar a economia”, concluiu o responsável.

O Banco Mundial anunciou na segunda-feira a disponibilização de 170 milhões de euros a Moçambique, para mitigar as consequências das inundações e da atual época chuvosa, que desde outubro já matou 242 pessoas e afetou quase 870 mil.

“Temos uma capacidade imediata, nos próximos meses, de mobilizar 200 milhões [de dólares, 170 milhões de euros]. E, dependendo das necessidades, veremos como podemos alargar esse programa”, disse o diretor do Grupo Banco Mundial para Moçambique, Fily Sissoko, após uma reunião, na Presidência da República, em Maputo, com o Presidente moçambicano, Daniel Chapo.

No final do encontro na Presidência da República, a ministra das Finanças de Moçambique, Carla Loveira, destacou, no âmbito da parceria com o Grupo Banco Mundial, “duas linhas adicionais” colocadas à disposição do país, uma das quais de “prevenção para a resiliência”, de 450 milhões de dólares (382 milhões de euros), para vigorar durante três anos.

Acresce um apoio emergencial de 20 milhões de dólares (17 milhões de euros), já disponibilizado, para financiar ações urgentes no âmbito das cheias.