As empresas portuguesas vão receber quase mil milhões de euros em apoios até ao final do mês de março. As mais de cinco mil empresas que se candidataram vão ter direito a 973 milhões de euros em fundos europeus não reembolsáveis ainda este mês. O objetivo é apostar na inovação.
Os apoios vão surgir no âmbito do Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade (IFIC), anunciou esta terça-feira o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida.
“O Estado, no âmbito, da sua esfera de atuação e responsabilidade, tem atuado de forma estratégica e cirúrgica, criando instrumentos que procuram responder às necessidades reais das empresas”, disse hoje o ministro da Economia apontando precisamente para a criação do IFIC no âmbito do PRR para apoiar projetos de investimento empresarial em atividades inovadoras e qualificadas, e em processos de investigação e desenvolvimento.
A linha conta com uma dotação inicial de 380 milhões, tendo sido recebidas mais de 5,2 mil candidaturas, que representam um investimento de 3,2 mil milhões de euros.
“Até ao final do corrente mês de março, este processo, ficará concluído. Colocamos em concurso 300 milhões, mas, face à procura e à qualidade dos projetos, vamos apoiar com 973 milhões os investimentos das nossas empresas”, anunciou o ministro durante o Fórum Banca 2026, organizado pelo Jornal Económico e que decorreu esta terça-feira em Lisboa.
“Se a guerra persistir, haverá efeitos seriamente adversos na economia”, avisa Castro Almeida
O ministro da Economia avisou hoje que se a guerra EUA-Irão se prolongar a economia será “seriamente” afetada tanto em Portugal como a nível global, com o disparo nos preços do petróleo e do gás.
Ao 11º dia da guerra, e depois do gasóleo ter disparado 20 cêntimos na bomba no arranque desta semana, com um desconto fiscal de 3,5 cêntimos, a grande questão agora é quanto tempo vai durar o conflito no Médio Oriente que coloca pressão sobre o preço da matéria-prima energética, que influencia toda a economia global.
“Se a guerra se resolver em poucos dias, que está a acontecer, são epifenómenos que se sentem no bolso das pessoas, de alguma forma, durante algum tempo; da mesma forma que apareceram, desaparecem após algum tempo. Se a guerra persistir, aí haverá efeitos seriamente adversos na economia portuguesa, europeia e mundial”, disse esta terça-feira Manuel Castro Almeida.
O petróleo segue esta terça-feira a corrigir as subidas recentes com um recuo de 8% para 91 dólares por barril. Já o gás afunda mais de 14% para 48 euros/Mwh.
“Não temos risco direto ao que respeita ao abastecimento energético, quer o gás, quer o petróleo, não usam a rota do estreito de Ormuz. Estamos a salvo do ponto de vista do abastecimento, mas não estamos a salvo, de aumento generalizado de preços que está a acontecer”, acrescentou, recordando que o Governo já aprovou descontos fiscais após as subidas no gasóleo.
A ideia, explicou, é que o “Governo não ganhe com a guerra” e que o “aumento de preços que a guerra implica não tenha também uma tradução no aumento da receita fiscal”, acima um certo valor “prescinde” da receita fiscal.
O ministro falava à margem do Fórum Banca 2026 organizado pelo Jornal Económico que decorreu hoje em Lisboa.
Sobre a gasolina, que não sofreu um aumento tão grande como o gasóleo e não foi abrangido pelo desconto fiscal, o ministro disse que a decisão do executivo é que será devolvido o IVA aos contribuintes, quando a gasolina superar uma subida de 10 cêntimos.
Em relação ao alargamento das medidas de apoio às empresas, Castro Almeida disse que o Governo “está atento para poder corrigir situações que possam causar dano estrutural na economia”.
“Não há um fetiche se o crescimento vai ser de 1,9% ou de 2%, ou se o saldo [orçamental] vai ser positivo ou negativo. Não deixaremos de ter a preocupação em primeiro lugar, que são as pessoas”, afirmou.
Questionado sobre o o fim das negociações entre patrões e a UGT sobre o acordo laboral na Concertação Social, disse que quer “intensamente” um acordo.
“Se não há acordo, não é por falta de vontade do Governo. O Governo quis intensamente fazer o acordo, e quer intensamente o acordo”, afirmou o ministro da Economia.
Sobre se admite enviar o documento para o Parlamento sem a aprovação na Concertação Social, limitou-se a dizer: “vamos ver, vamos ver”.