Anna Golsa chega à liderança global do grupo Eurofirms no melhor ano de sempre do negócio em Portugal. Porém, a fazer fé no previsto, o melhor ainda está para vir.

“Definimos um plano que prevê um aumento de cerca de 21% no nosso volume de faturação”, revela a CEO global ao Jornal Económico (JE) sobre a estimativa de crescimento para 2026.

Em 2025, a faturação cresceu 8% e atingiu 94 milhões de euros, adianta a CEO ao JE. Em 2024, a operação portuguesa tinha gerado 87 milhões, mais 23% do que no ano anterior.

O grupo Eurofirms que opera em sete países (Espanha, Portugal, Itália, França, Chile, Brasil e Peru) vive uma fase de crescimento. Portugal é em termos de faturação um mercado chave, sendo o segundo mais importante depois da casa-mãe.

Anna Golsa tem a incumbência de levar a cabo a implementação do plano estratégico 2024–2027, orientado para a consolidação internacional, a transformação digital e a evolução do modelo de gestão “People First”.

No que respeita a Portugal, o plano estratégico aponta o objetivo melhorar a posição atual e continuar a subir na liderança do setor. “Para 2026, o nosso objetivo em Portugal é continuar a consolidar o crescimento sustentado dos últimos anos e avançar com determinação em direção ao nosso próximo nível: posicionar-se nos entre as principais empresas do setor no país”, afirma a CEO do grupo.

Anna Golsa avança que um dos principais desafios estratégicos da Eurofirms é ser reconhecida no mercado como um partner 360° de soluções de talento. “Não somos apenas um fornecedor de trabalho temporário, mas um parceiro global que acompanha os clientes em toda a sua cadeia de valor, nomeadamente também através de serviços de outsourcing, training, executive search e da Eurofirms Foundation, para a integração profissional de pessoas com deficiência”, justifica.

O plano prevê o reforço e a diversificação das áreas de negócio, com especial destaque para o recrutamento especializado e o outsourcing, que, salienta, “registaram um crescimento muito significativo”. Na prática, significa alguma redução no peso da principal atividade, o recrutamento para trabalho temporário.

Treze anos depois de ter aberto portas em Portugal, a Eurofirms conta com uma rede de 24 escritórios distribuídos por todo o país (o maior número fora de Espanha) e 230 colaboradores. A empresa opera sobretudo para setores de mão de obra intensiva como a hotelaria, agricultura, indústria pesada e contact center.

O facto da torneira da imigração em Portugal continuar a perder gás prejudica a atividade? Sente-se escassez de talento? Anna Golsa reconhece que o problema existe em todos os países onde o grupo opera, motivado por “uma realidade estrutural, associada a fatores demográficos, evolução das qualificações e transformação das expectativas das pessoas em relação ao trabalho”. Portugal, admite, até se destaca no panorama geral, “pela qualidade e qualificação dos seus profissionais e pelo “potencial para responder a desafios a diferentes níveis, desde funções técnicas especializadas até posições estratégicas”.

À luz deste enquadramento, a gestora considera que “o potencial de desenvolvimento do mercado português depende menos da disponibilidade imediata de talento e mais da capacidade das empresas de atrair, integrar e fidelizar talento de forma sustentável”. E é aqui, diz, que a Eurofirms tem uma palavra importante a dizer, “ajudando as organizações a responder a esta escassez com soluções mais adequadas, rigorosas e de longo prazo”.

Não por acaso, aposta hoje muito fortemente na formação. A Academia de Hotelaria da Eurofirms – People First, lançada em 2023 como resposta à falta de mão de obra especializada no setor hoteleiro, formou já seis centenas de pessoas e apresenta uma taxa de integração profissional de 90%, sobretudo em unidades hoteleiras de quatro e cinco estrelas.

A tecnologia, nomeadamente a utilização de inteligência artificial na agilização de processos, também entra na equação da Eurofirms, empresa que comemora este ano o seu 35.º aniversário.

700 milhões de euros de faturação em sete países

O grupo Eurofirms fechou o exercício de 2025 com um volume de negócios superior a 700 milhões de euros, o que representa um acréscimo de 13,2% face ao ano anterior. O crescimento da atividade traduziu-se também pela abertura de 16 escritórios, reforçando o seu posicionamento territorial. Nascida em Espanha há 35 anos, a Eurofirms está presente em mais seis países – Portugal, Itália, França, Chile, Brasil e Peru –, operando com uma rede de 170 delegações e 1.700 profissionais.