Portugal registou um crescimento de 0,5% nas exportações em 2025, num contexto de turbulência no comércio mundial. Este resultado positivo foi conseguido à custa das transações sem transferência de propriedade, frequentemente associadas a trabalhos por encomenda. Sem esta componente, as exportações teriam caído 1,6% face a 2024.

Pedro Braz Teixeira, diretor do gabinete de estudos do Fórum para a Competitividade, destaca que estas transações, inicialmente vistas como pontuais, “têm uma certa sustentabilidade”. Concentram-se sobretudo no setor farmacêutico com destino aos EUA, representando produtos de maior qualidade e valor acrescentado para a economia portuguesa. No entanto, a exposição às tarifas norte-americanas, cuja isenção para o setor farmacêutico está sob ameaça, constitui um risco.

O mercado norte-americano, quarto destino principal, registou uma quebra de 13,4% nas exportações portuguesas. Em contrapartida, a Alemanha, segundo principal destino, acelerou 14,5%. Espanha (principal parceiro) cresceu 0,6% e França (terceiro destino) registou um aumento marginal de 0,1%. No top-10, também a Bélgica (0,9%) e a Polónia (2%) tiveram incrementos. Os três principais destinos (Espanha, Alemanha e França) representam mais de metade do volume exportado.

Do lado das importações, Espanha lidera com 32,9% do total e um crescimento de 3,9%. A China registou um aumento de 14,6%, ascendendo ao quinto lugar dos fornecedores. Em sentido oposto, as importações do Brasil caíram 27,9%, refletindo reduções nas transações de combustíveis.

O saldo da balança comercial agravou-se, com um défice de 32.100 milhões de euros, mais 3.752 milhões do que em 2024, fruto de uma aceleração maior das importações face às exportações.