A agência de notação financeira Fitch divulgou esta sexta-feira que avaliação faz à dívida soberana de Portugal, após uma subida no ano passado. Em setembro de 2025, a Fitch elevou o ‘rating’ de Portugal para ‘A’ com perspetiva estável, o que “refletiu, sobretudo, a consolidação orçamental e a redução consistente do rácio da dívida pública”.

A Fitch optou hoje pela manutenção do ‘rating’ em ‘A’, enquanto a perspetiva (outlook) melhorou de estável para positiva.

A Fitch Ratings alterou a perspetiva (outlook) da dívida soberana de Portugal para Positiva, mantendo o rating ‘A’, devido à projeção de uma queda firme da dívida pública/PIB entre 2026 e 2029 e a uma sólida disciplina orçamental. A agência destaca o excedente de 0,4% do PIB estimado para 2025 e a contínua redução da dívida para 89,6% do PIB no final de 2025, sustentada por um setor bancário robusto e crescimento resiliente.

A novidade é que a agência de notação financeira vê agora Portugal a ter défice de 0,8% este ano por causa do impacto das tempestades.

A Fitch não surpreendeu os analistas que reconhecendo que nos mercados não existem certezas, apontavam que cenário que reúne maior probabilidade nesta revisão é o de manutenção do ‘rating’ em A e da subida da perspetiva.

Desde setembro do ano passado, o enquadramento macroeconómico tem evoluído de forma positiva. A dívida pública diminuiu para 93,6% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o saldo orçamental registou um excedente próximo de 0,5% do PIB e o crescimento económico fixou-se em torno de 1,9% em 2024 e 2025.

Esta é a terceira avaliação da dívida soberana portuguesa este ano. A DBRS, em janeiro, manteve o ‘rating’ de Portugal com a perspetiva estável, enquanto a S&P deixou inalterada a classificação, mas melhorou o outlook de estável para positivo.

A próxima avaliação da Fitch da dívida soberana de Portugal é no dia 4 de setembro. No que toca às restantes agências, a Moody’s vai pronunciar-se a 22 de maio e fecha o ciclo anual a 20 de novembro. Já a DBRS tem três rondas este ano — a primeira foi a 16 de janeiro, seguindo-se outra a 15 de maio e a última a 13 de novembro — e a S&P pronuncia-se a 28 de agosto.

O que é positivo?

Surpresas no excedente: Portugal fechou 2025 com um excedente de 0,4%, acima do que a própria Fitch e o Governo previam, graças a uma receita fiscal mais forte do que o esperado.

Dívida em queda livre: A dívida pública caiu para 89,6% do PIB no final de 2025. A previsão é que continue a descer até aos 86,8% em 2027. Embora ainda seja muito superior à média dos países com nota ‘A’ (56%), a velocidade da descida e a prudência política são vistas como grandes trunfos.

Credibilidade: A agência destaca o “compromisso político generalizado” com a disciplina fiscal, o que dá confiança aos investidores.

Para 2026 o que espera a Fitch?

O relatório introduz um elemento novo: o impacto de tempestades recentes na economia.

Défice técnico em 2026: A Fitch prevê que o saldo passe a um défice de 0,8% em 2026. Porquê? Pelos gastos com reconstrução (pós-tempestades), o pico de investimento do PRR e os cortes no IRS e IRC previstos no orçamento.

Risco de incerteza: Existe uma “nuvem” sobre 2026 devido à dificuldade em contabilizar com precisão os danos totais das tempestades.

(atualizada)