O ministro dos Negócios Estrangeiros disse hoje que França irá convocar o embaixador dos EUA, Charles Kushner, para protestar contra os comentários do Governo do Presidente norte-americano sobre a morte de um ativista de extrema-direita.

“Vamos convocar o embaixador dos Estados Unidos em França, uma vez que a embaixada fez um comentário sobre este drama (…) que diz respeito à comunidade nacional”, disse Jean-Noël Barrot, convidado da France Info/France Inter/Le Monde, citado pela agência de notícias France-Presse.

O ministro francês acrescentou que recusa “qualquer instrumentalização deste drama (…) para fins políticos”, considerando que França “não tem nada a aprender em matéria de violência, em particular da parte da reação internacional”.

A administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, denunciou na sexta-feira a violência política da extrema esquerda numa primeira reação oficial após a morte na França do militante de extrema-direita radical Quentin Deranque, apelando a que os responsáveis fossem levados à Justiça.

Segundo a Associated Press, Deranque, um ativista de extrema-direita morreu na semana passada devido a lesões cerebrais causadas por espancamento na cidade francesa de Lyon.

Foi atacado durante uma luta à margem de uma reunião estudantil, onde uma legisladora de extrema-esquerda, Rima Hassan, era a oradora principal.

O seu assassínio destacou um clima de profundas tensões políticas antes das eleições presidenciais do próximo ano.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, pediu calma, no sábado, quando cerca de 3.000 pessoas se juntaram a uma marcha em Lyon organizada por grupos de extrema-direita para prestar homenagem a Deranque.

Sete pessoas foram acusadas preliminarmente. O Ministério Público de Lyon solicitou que cada uma delas fosse acusada de homicídio doloso, violência agravada e conspiração criminosa. Seis dos acusados foram acusados das três acusações. O sétimo foi acusado de cumplicidade em homicídio doloso, violência agravada e conspiração criminosa.

Barrot disse que tem outros assuntos a discutir com Kushner, incluindo as decisões dos EUA de impor sanções a Thierry Breton, ex-comissário da União Europeia responsável pela supervisão das regras das redes sociais, e Nicolas Guillou, juiz francês do Tribunal Penal Internacional.