O mundo está outra vez em suspenso do que vai Trump fazer. E quem teme que prevaleça a lei de Murphy é por não conhecer a lei de Jonhson: Murphy era um otimista.

A curto prazo aconteceu o padrão: Trump chickens out. Ele pode tentar convencer-nos que houve uma mudança de regime no Irão e que obteve uma grande vitória, que só a Maga (Patalógica) acredita. Só se adiou a coisa por duas semanas, um “pedimos desculpa por esta interrupção, o programa segue dentro de momentos”.

Na melhor das hipóteses, Trump vai reincarnar Pilatos e fazer de conta que nada aconteceu, exceto ter ganho a guerra, deixando rédea livre ao Irão para decidir o que lhe passa pelo estreito e vamos todos pôr fim às sanções que lhe foram impostas. Como pode Trump ter-se enganado a este ponto e tornar-se um ativo tóxico para o Partido Republicano?

Trump estava embriagado com o sucesso na Venezuela e errou como Putin, que ia tomar a Ucrânia em poucos dias. Até disse que depois do Irão seria Cuba; agora pode ser que se esqueça da Gronelândia. Mas o motor da mudança de atitude de Trump tem sido o caminho para as midterm elections, que se tornou numa long and winding road.

Aquilo que ele esperava contribuir para dar momentum ao GOP – uma série de vitórias militares que reafirmassem o poderio americano no mundo – foi conduzido a Alésia pelo Irão, a par do seu comportamento, digamos, errático, das suas atitudes e intervenções inapropriadas e dos favores e indultos a amigos e camaradas de partido.

Trump corre um risco sério de ver os republicanos perderem a maioria na Câmara e no Senado, impensável no início do seu mandato. Um sinal disto é os democratas terem conseguido, no final do mês passado, em Palm Beach (no district que inclui Mar-a-Lago) a trigésima reviravolta em eleições especiais para os parlamentos e outros órgãos estaduais. Boa parte delas onde Trump havia ganho por mais de dez pontos.

Não admira, portanto, que GOP e MAGA estejam em choque e Trump tenha ordenado aos membros do Governo que se envolvam nas campanhas eleitorais – não é inédito, Carter fez o mesmo em 1979, com os resultados conhecidos.

Vamos ver os republicanos do Never Trump, alguns parlamentares e outros, à imagem de Bush (pai), que votou em Hillary Clinton, revoltarem-se cada vez mais abertamente contra o Presidente; Trump, esse, vai abrir o baú dos truques sujos, como a sua intenção (inconstitucional) de pôr o ICE nas assembleias de voto ou o SAVE America Act. Novembro será o mês do aquecimento local.