Enquanto prestador global de serviços de aviação, presente em 350 aeroportos, acreditamos que a concorrência é saudável, pois promove inovação, eficiência e padrões mais elevados. No entanto, a concorrência deve assentar na confiança, na transparência e na previsibilidade — especialmente num setor de investimento intensivo como a aviação.

Essa confiança foi abalada pela recente decisão relativa às licenças de assistência em escala nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro. A Menzies Aviation participou neste processo de boa-fé, com a expectativa de boa governance, transparência e consistência regulatória. Da perspetiva de um investidor estrangeiro de longo prazo, o processo levanta preocupações sérias.

A aviação é um pilar central da economia portuguesa. No último ano, mais de 72 milhões de passageiros passaram pelos aeroportos nacionais. O setor emprega diretamente 51 mil pessoas e gera 4,6 mil milhões de dólares em receitas. Os aeroportos são a principal porta de entrada do país, pelo que qualquer instabilidade operacional tem impactos imediatos no turismo, na conectividade e na atividade económica.

Os aeroportos portugueses gerem mais de 800 voos por dia, dependentes de equipas altamente qualificadas que asseguram operações complexas e críticas para a segurança. Há mais de um ano que a Menzies Aviation está integrada nos aeroportos nacionais, empregando mais de 3.700 trabalhadores e prestando serviços seguros e fiáveis. A estabilidade alcançada pode agora ser posta em causa, gerando incerteza para os trabalhadores e para todo o ecossistema da aviação.

Quando entrámos em Portugal, em 2024, fizemo-lo com a ambição de elevar padrões, melhorar a eficiência e modernizar operações. Investimos 15 milhões de euros e temos previstos mais 25 milhões, refletindo um compromisso operacional de longo prazo.

Enquanto acionista maioritário da SPdH, investimos de forma significativa na recuperação da empresa após a insolvência, num processo que envolveu também recursos públicos. A decisão agora tomada coloca em risco mais de 50 milhões de euros para a TAP e um valor semelhante para os credores. Com a TAP a deter 49,9% da SPdH, o impacto financeiro afeta também a companhia aérea nacional e a sua capacidade de operar o seu hub de forma eficiente. Impõe-se, por isso, uma avaliação transparente e sustentada em evidência do processo de licenciamento.

Isto não é resistência à mudança, mas sim a defesa de mudanças que criem valor sem comprometer o investimento de longo prazo. Enquadramentos regulatórios estáveis promovem melhores condições de trabalho, maior qualidade de serviço e infraestruturas mais robustas. Quando não existe segurança no emprego nem estabilidade operacional no principal hub do país, o interesse público não está a ser defendido

Mantemo-nos comprometidos com as nossas pessoas, com os nossos clientes e com o futuro da aviação em Portugal. Contudo, o compromisso dos investidores exige decisões públicas transparentes, justas e previsíveis. Sem garantias claras, Portugal arrisca-se a ser percecionado como um mercado onde a burocracia se sobrepõe à previsibilidade — uma perceção que desencoraja o investimento estrangeiro.