Apesar da forte desvalorização que o ouro tem tido nos últimos tempos, o Goldman Sachs acredita que o metal tem potencial para valorizar até ao final do ano. A previsão atinge os 5.400 dólares. A se confirmar, tratar-se-ia de uma valorização de 13,6% face ao atual preço.

Desde o pico de 5.589 dólares atingido em final de janeiro, o ouro já caiu 14,9%. Esta quarta-feira, o metal negociava nos 4.752 dólares. Mas isso não foi suficiente para travar a visão otimista do Goldman Sachs.

O banco coloca a matéria-prima a atingir os 5.400 dólares até final de 2026, uma valorização impulsionada pela possibilidade de existirem cortes nas taxas de juro pela Reserva Federal norte-americana (Fed).

Os analistas da instituição bancária, Lina Thomas e Daan Struyven, justificam, numa nota transcrita pela publicação financeira Investing, a atual desvalorização do metal devido à natureza do conflito no Médio Oriente, colocando o valor justo desta matéria-prima em cerca de 4.550 dólares, num cenário atual em que não se espera cortes nas taxas de juro pela Fed, devido a receios de subida de inflação.

Lina Thomas e Daan Struyven rejeitaram também a ideia de que o ouro falhou no seu papel de ativo de refúgio contra a inflação, salientando que o ouro comporta-se de forma diferente face ao tipo de choque inflacionário.

Os analistas do banco, transcritos pelo Investing, referiram que tal como em 2022 (ano em que se iniciou a guerra entre Ucrânia e Rússia), o ouro apresenta normalmente um “desempenho inferior” inicialmente em episódios de interrupção de fornecimento, adiantando que a inflação impulsionada pela oferta “aumenta o risco de uma política monetária mais restritiva, rendimentos mais elevados aumentam o custo de oportunidade de manter ouro e pressionam a procura de external traded funds (ETF), e quedas no mercado de ações desencadeiam liquidações relacionadas com margens”.

O cenário base do Goldman Sachs para o ouro está assente nos seguintes fatores: “uma normalização do posicionamento especulativo, que o banco estima valer cerca de 195 dólares por onça; cortes de 50 pontos base na Fed, esperados pelos seus economistas, acrescentando aproximadamente 120 dólares; e uma reaceleração das compras dos bancos centrais para cerca de 60 toneladas por mês, contribuindo com um valor estimado de 535 dólares”, de acordo com a nota transcrita pelo Investing.

Banco prevê cenário em que ouro cai até aos 3.800 dólares

Contudo, os analistas alertam que uma interrupção prolongada do Estreito de Ormuz, e uma maior fraqueza nos mercados bolsistas, podem levar a que o ouro possa cair para os 3.800 dólares. Num cenário em que as tensões geopolíticas, incluindo os desenvolvimentos na Gronelândia e na Venezuela, acelerem a diversificação dos ativos ocidentais, o banco prevê que o ouro possa subir para o intervalo entre os 5.700 dólares e os 6.100 dólares.