O antigo ministro do governo de Passos Coelho, Miguel Poiares Maduro, criticou severamente a direção do PSD e o seu líder, Luís Montenegro, num comentário à derrota de Marques Mendes nas eleições presidenciais. Maduro considera que esta derrota é também uma derrota pessoal de Montenegro e uma consequência da estratégia do partido.
“A direção do PSD cometeu o erro de não ir a jogo na segunda volta”, afirmou Maduro, referindo-se à atitude do partido durante o processo eleitoral presidencial. Esta posição, segundo o antigo ministro, reflete uma falta de ambição e uma postura defensiva que tem caracterizado a oposição social-democrata.
Maduro foi particularmente crítico em relação à perceção que Montenegro tem sobre a ação governativa. “Montenegro está convencido de que fazer reformas é anunciar um balcão eletrónico todos os dias”, ironizou, sugerindo que o líder do PSD reduz a noção de reforma estrutural a meras iniciativas tecnocráticas ou simbólicas, sem visão de transformação profunda do país.
Paralelamente, o antigo governante avaliou o desempenho do executivo liderado por António Costa, afirmando que “o Governo está a fraquejar”. Esta avaliação contrasta com a incapacidade demonstrada pelo PSD, na opinião de Maduro, em capitalizar politicamente sobre estas fragilidades, devido a uma estratégia errática e a uma falta de proposta alternativa clara e convincente.
As declarações de Miguel Poiares Maduro surgem num contexto de reflexão interna no PSD após a derrota do seu candidato presidencial e apontam para críticas à liderança de Montenegro, que é acusada de falta de coragem política e de uma visão reformista limitada.