O Governo não teve nem terá intervenção no projeto da Caixa Geral de Depósitos (CGD) de investir num reforço da participação acionista na seguradora Fidelidade. Foi assim que fonte conhecedora do processo comentou o possível reforço da participação do banco do Estado no capital da seguradora Fidelidade.

Isto vai ao encontro do que tem sido a política do atual ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento. “Não nos imiscuímos na gestão da Caixa”, disse o ministro quando se discutiu o potencial investimento da CGD no Novobanco. Uma frase que encaixa na contexto do investimento que o banco se mostrou disponível para fazer na Fidelidade. O Ministério das Finanças não comentou.

A notícia de que a Caixa quer reforçar a participação acionista da Fidelidade, que atualmente é de 15%, para até 30%, foi inicialmente avançada pelo jornal “Eco”.

O Jornal Económico confirmou que a CGD mostrou disponibilidade para investir na Fidelidade que se prepara para ir para bolsa em 2027. No entanto, não há negociações entre a CGD e a Fosun para um investimento robusto no do capital da seguradora, que teria de ser obrigatoriamente feito por venda direta. Segundo as nossas fontes, o eventual reforço da CGD na Fidelidade pode ocorrer antes da Oferta Pública Inicial (IPO), podendo avançar ainda este ano. O que, a confirmar-se, implicará negociações com o maior acionista da Fidelidade, a Fosun, que tem 85%. Essas negociações ainda não começaram, sabe o Jornal Económico.

O que houve até agora foi a manifestação de uma disponibilidade da CGD para investir na Fidelidade porque é um bom ativo para alocar o atual excesso de capital do banco e porque fortalece a relação de distribuição de seguros que já existe.

A CGD, que se prepara para apresentar resultados anuais no próximo dia 26 de fevereiro, disse na apresentação de contas do terceiro trimestre que vai distribuir pelo menos mil milhões de euros de dividendos em 2026 relativos aos lucros de 2025. Mas que, mesmo com essa mega distribuição dos mil milhões “ficarão com rácios acima de 20% quer no CET1 quer no capital total”. Valores considerados muito confortáveis face às exigências regulatórias.

A CGD precisa de aplicar o excesso de capital e o investimento na Fidelidade é considerado um ótimo ativo destino para esse investimento. Os contactos para essa operação já informalmente foram iniciados entre os responsáveis de ambas as instituições financeiras, segundo as nossas fontes.

A CGD registou lucros nos primeiros nove meses de 2025 de 1.400 milhões de euros (dos quais 1.294 milhões provenientes da atividade em Portugal). Os lucros anuais da CGD deverão ascender a 1,9 mil milhões de euros, apurou o Jornal Económico. Desde o processo de recapitalização em 2017, a CGD já gerou organicamente cerca de 6.850 milhões de euros em capital, o que representa 1,7 vezes o valor total recebido na altura do acionista Estado.

IPO para a Fidelidade crescer

Quanto à entrada em bolsa, a Fidelidade está a trabalhar internamente para avaliar a situação do mercado. Depois decidirão qual a melhor altura para avançar. Mas ainda não há nenhum assessor financeiro a trabalhar no IPO.

Segundo fontes conhecedoras do processo, a decisão de venda de uma participação em bolsa não traduz um desejo de desinvestimento da Fosun, mas sim uma estratégia da gestão da Fidelidade de crescer no futuro. Pois para crescer precisa de estar cotada.

Já quanto à posição de 20% da Fosun no BCP, que está catalogada como participação financeira, ou seja, não core, é atualmente uma fonte de receita importante por causa dos dividendos, pelo que é pouco provável que o grupo chinês prescinda disso. No entanto a valorização das ações do BCP põe pelo menos o tema da venda na agenda da Fosun.