O Grupo OLX já investiu desde 2018 cerca de 200 milhões de euros em inteligência artificial (IA) e em 2026 prepara-se para alocar mais 20 milhões de euros nesta tecnologia, avança o CEO global da organização, Christian Gisy, em entrevista ao Jornal Económico (JE). Portugal é também piloto de uma ferramenta de IA que teve como foco os setores do imobiliário e automóvel.

Estas ferramentas serão apresentadas entre 25 e 26 de fevereiro, no CLAIM AI, que se realiza no Convento do Beato, em Lisboa. O grupo empresarial sublinha que estas ferramentas prometem “mudar as regras do jogo” em matérias de vendas com o intuito de “transformar qualquer Pequena e Média Empresa (PME) ou particular num digital marketeer com uma forte capacidade de gerar vendas e acumular receita”.

As ferramentas que serão apresentadas no evento vão permitir por exemplo: a criação de vídeo a partir de imagem estática, converter a imagem em vídeo personalizado com voice-over, e ainda outra que povoa automaticamente, de acordo com o tipo de produto a vender, as palavras-chave e tags de pesquisa. “É como se cada um de nós se tornasse num micro marketeer digital, o que fomenta a geração de novos negócios e aumenta a capacidade de quem é empreendedor, bem com o do cidadão comum em obter rendimentos”, salienta o Grupo OLX.

No ano fiscal de 2025, o Grupo OLX teve um crescimento 18% nas receitas para os 777 milhões de dólares (658,9 milhões de euros à taxa de câmbio atual), o EBIT ajustado chegou aos 27 milhões de dólares (22,9 milhões de euros), mais 62% face ao período homólogo, e a margem EBIT subiu de 25% para 35%.

Em entrevista ao Jornal Económico, Christian Gisy, explica os motivos que levaram à seleção de Portugal como campo de testes para uma das ferramentas que vão estar em evidência no CLAIM AI e a importância que o mercado português possui para a organização.

“Portugal é um importante país [para nós]. Temos uma grande operação em Portugal. Quando lançamos produtos, também lançamos em Portugal. Portugal nos últimos 10 a 15 anos tem-se tornado um país muito centrado em tecnologia. Temos cerca de 500 pessoas em Portugal, e escritórios em Lisboa e Porto”, explica.

Christian Gisy referiu que a terra lusitana beneficia de uma base de clientes “muito diversa” fazendo com que Portugal, na área do imobiliário, seja “muito interessante” para aprender sobre as necessidades e os requisitos dos clientes na relação que possuem com o OLX.

O CEO do Grupo OLX quando questionado sobre a disrupção que a IA pode trazer ao OLX, Christian Gisy lembra que entre cinco a oito anos “temos uma disrupção”. Contudo no caso da IA Christian Gisy considera que se trata de um ‘animal diferente’. “Vai ser maior e mais profunda. O que é bom porque se estivermos preparados para isso, e estamos, não estamos à espera que a IA venha, estamos a criar a nossa IA e a nossa própria IA agêntica”.

Grupo já investiu 200 milhões de euros em IA

E isso acaba por ter reflexo no nível de investimento que o grupo tem feito na tecnologia. Desde 2018, o OLX alocou 200 milhões de euros à IA e deve despender mais 20 milhões de euros este ano, refere Christian Gisy.

“Para nós a IA é uma oportunidade. Vamos introduzir o Imovirtual (área do imobiliário) no ChatGPT, e vamos introduzir também algo de semelhante no lado automóvel. Estamos a trabalhar em vários elementos para melhor entender o topo do funil [de vendas]. Porque se existir disrupção por parte da IA e da IA agêntica esta virá do topo do funil [de vendas]”, considera Christian Gisy.

Christian Gisy lembra também que quando chegou à liderança do OLX o negócio tinha uma lógica horizontal. “Mudamos para sermos mais verticais. E do lado vertical o nosso foco e a nossa concentração é no imobiliário (Imovirtual), nos motores (Standvirtual), e no mercado de trabalho, que ainda está no OLX. Em outros países onde estamos presentes também somos fortes aí. Esta verticalização tem um impacto na estratégia global”, assinala o responsável pelo grupo.

Questionado sobre se a chegada da IA teve melhorias ao nível do tráfego, Christian Gisy salienta que “não diria” que é mais tráfego. O CEO do Grupo OLX explica que as principais mudanças estão na ligação que os utilizadores têm com as diversas plataformas. Com a IA as coisas são “mais orientadas” para os dados (data na sigla), e existe “mais precisão”. Christian Gisy sublinha que não se trata tanto da quantidade mas sim sobre qualidade. “Queremos entregar leads que permitam que as pessoas [comprador e vendedor] transacionem mais rápido, mais facilmente, e com mais segurança”, refere.

Christian Gisy dá conta do impacto que a IA está a ter no negócio do grupo. Por exemplo ao nível do processo de listagem na área do imobiliário o timing foi cortado em 50% porque a IA é “mais rápida”. Na área dos motores a taxa de aceitação aumentou em 10%.

“A nossa abordagem é facilitar a venda aos vendedores e compradores. [O processo] de descoberta e de pesquisa está ‘mais magro’ (leaner na expressão inglesa). No passado era mais sobre filtragem, browsing, e agora com a IA e a IA agêntica é mais leaner e a entrega resultados é mais rápidos. Temos leads mais qualificados e convertemos mais rápido”, salienta Christian Gisy.

Christian Gisy assinala também que o grupo tem usado IA para moderar o seu conteúdo. “Com a IA a fazer 95% da moderação reduzimos a fraude por uma grande quantidade. A IA generativa não é algo que [só] ajuda os compradores e vendedores também ajuda-nos internamente a sermos mais produtivos e precisos, e a termos melhor segurança”, refere o CEO do grupo.

Relativamente ao evento que o Grupo OLX, organiza no Convento do Beato, em Lisboa, entre 25 e 26 de fevereiro, Christian Gisy sublinha que no âmbito da CLAIM AI se espera que 200 especialistas na área se juntem ao evento.

Na junção dos dois dias o objetivo passa por mostrar “o que a IA pode ser” e como a IA agêntica está a encontrar o seu espaço nesta áreas, e também “mostrar o que isso significa em termos de execução”.