Uma das incógnitas mais importantes do actual conflito entre, por um lado, os EUA e Israel e, por outro, do Irão, é a sua duração.

Os EUA iniciaram o ataque sem uma motivação clara e sem preparação adequada, desde logo por não terem previsto as consequências sobre os preços da energia e nem sequer terem reposto as suas reservas estratégicas de petróleo ao nível de referência. Israel sente a sua sobrevivência em risco pelo actual regime iraniano, mas há décadas que o problema existe e não houve nenhum agravamento recente da situação.

O regime iraniano luta pela sobrevivência e os iranianos em geral há décadas que olham para os actuais agressores como o Grande Satã e o Pequeno Satã, percepção que sai reforçada pela actual intervenção militar. Ou seja, dos três, é evidente que é o Irão que está mais motivado a guerrear, sobretudo muitíssimo mais do que Trump.

Em contrapartida, para não variar, o presidente dos EUA partiu para este conflito sem uma preparação mínima. O número de baixas militares norte-americanas ainda é baixo, mas os eleitores já estão a sentir na pele as consequências destas batalhas, com uma clara subida dos preços dos combustíveis.

O partido republicano aproximava-se das eleições intercalares de Novembro, daqui a menos de oito meses, com vários problemas, nomeadamente a quebra de promessas eleitorais de reduzir os preços da gasolina e dos bens essenciais. O sucesso eleitoral mais recente dos democratas sustentou-se na defesa da acessibilidade do custo de vida (“affordability”), o que sublinha como este é, na actual conjuntura, um tema político primordial.

Ao atacar o Irão, Trump está a agravar o custo e vida e a desrespeitar uma outra promessa eleitoral, a de não iniciar novas guerras e até finalizar as que havia, o que até o levou a sonhar com receber o Nobel da Paz.

Se a guerra for de curta duração, os preços do petróleo poderão baixar e os eleitores poderão esquecer a sua subida temporária. Mas se se prolongar, aqueles preços não irão baixar, outros preços serão afectados por isso, com a consequente subida da inflação, é provável que o desemprego suba e que a Reserva Federal se veja forçada a subir as taxas de juro ou, pelo menos, a não as descer como estava planeado. Ou seja, seria um desastre político para o presidente dos EUA, até porque nem se deu ao trabalho de explicar qual a motivação para envolver o país num conflito tão distante.

Em termos militares, há também uma grande assimetria, com os EUA e Israel a gastarem imenso para se defender e aos seus aliados dos ataques iranianos e estes com capacidade de se defenderem com meios de baixo custo. Mais ainda, o Irão tem uma arma potentíssima, que nem precisa de disparar: a ameaça de que atacará qualquer navio que passe pelo estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

Com tropas no terreno, a Rússia tem tentado invadir a Ucrânia há quatro anos, sem sucesso. Sem tropas no solo, não há qualquer hipótese de os EUA derrubarem o regime iraniano, muito menos no curto prazo. Com o avolumar dos custos políticos, Trump não tem condições de prolongar o conflito, pelo que deverá fazer uma retirada humilhante, que tentará mascarar com a sua habitual desfaçatez.