O preço do petróleo deverá disparar 20 dólares por barril quando abrir a negociação na segunda-feira, com o ensaio de guerra no Irão, depois dos ataques dos Estados Unidos e de Israel e de retaliação de Teerão.

O barril de Brent fechou a negociar nos 73 dólares na sexta-feira, e uma subida de 20 dólares deverá colocá-lo mais perto dos 100 dólares.

Em termos de fornecimento, o impacto negativo deverá ser de menos 8 a 10 milhões de barris diários a entrar no mercado, vindos da produção iraniana.

Mas a grande questão agora é se os iranianos vão fechar o estreito de Ormuz por onde passam 15 milhões de barris diários de petróleo, 30% do petróleo marítimo negociado em todo o mundo.

“Isto torna-o no gargalo de petróleo mais crítico do mundo. Qualquer disrupção prolongada, irão remover uma porção substancial do crude negociado globalmente do mercado”, segundo uma análise da Rystad.

Além do petróleo, também passa por aqui um quinto do gás natural consumido mundialmente.

É possível enviar alguns volumes de petróleo saudita pelo pipeline que vai dar ao Mar Vermelho, mas este tem apenas 5 milhões de barris diários de capacidade.

Os Emirados Árabes Unidos podem usar o pipeline de Abu Dhabi, mas a sua capacidade é de apenas 5 milhões de barris diários.

O uso destas rotas alternativas não afasta um impacto significativo nas exportações, entre 8 a 10 milhões de barris diários, que ficam expostas se o estreito for fechado.

O disparo do preço do barril em 20 dólares tem em conta o risco de disrupção do estreito e do fornecimento iraniano, mas também dinâmicas de retaliação e do escalar da tensão.

Se o cenário atual se agravar, os preços vão subir ainda mais, avisa a Rystad.

Mesmo que a produção de petróleo aumente, terá um impacto limitado no mercado.

É um dos pontos nevrálgicos do sistema energético mundial. O bloqueio do estreito entre o Golfo Pérsico e o Mar Arábico é um sério risco para a economia global.

Quem exporta por este estreito? Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait, Qatar, Bahrain e o próprio Irão, que enviam tanto crude como gás natural liquefeito (GNL) para todo o mundo.

Num cenário extremo, de bloqueio do estreito, os preços de petróleo podem registar uma subida de dois dígitos.

O Irão produz atualmente três milhões de barris por dia – três vezes mais do que a Venezuela – exportando dois milhões de barris. O nível de produção corresponde a cerca de 3% da produção global atual.

O mercado mundial de petróleo regista um excesso de oferta: 2,5 milhões de barris a mais por dia que deverão aumentar para três milhões em fevereiro e março, segundo dados da Kpler.

Há 500 anos, os portugueses combateram ferozmente na ilha de Ormuz, localizada neste estreito entre a Arábia Saudita e o Irão. Inicialmente, Afonso de Albuquerque falhou a sua conquista após a traição de três capitães do seu exército. Regressou mais tarde e conquistou a ilha (atual Irão), onde foi construída a fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, cujas ruínas ainda lá permanecem, vigiando silenciosamente os petroleiros que atravessam o estreito.