O secretário-geral da ONU, António Guterres, avisa que a organização está em risco de “colapso financeiro iminente”, apelando assim a que os Estados-membros paguem as suas contribuições. Caso contrário, os fundos poderão esgotar-se até julho, explicou em carta enviada aos embaixadores.
“A crise está a agravar-se, a ameaçar o programa de entregas e em risco de um colapso financeiro. E a situação vai piorar”, lê-se na carta datada de 28 de janeiro citada pela Reuters. Este é um assunto que o nono secretário-geral da organização tem frisado, sobretudo numa altura em que a retirada de financiamento norte-americano coloca ainda mais em risco uma série de programas e iniciativas.
Guterres lembra o enquadramento orçamental da ONU que estipula que fundos não utilizados devem ser devolvidos, algo que cria um “ciclo kafkaesco em que temos de devolver dinheiro que não existe”, dadas também as dívidas de inúmeros países.
No final do ano passado havia 1,57 mil milhões de dólares (1,32 mil milhões de euros) em dívidas pendentes, um novo máximo na história da organização. Ainda assim, o secretário-geral não explicitou na carta quais os países em dívida e os montantes associados.
Os EUA deveriam contribuir com 22% do orçamento da ONU, mas relatos recentes da organização apontam para uma dívida de 2,19 mil milhões de dólares (1,84 mil milhões de euros) para o orçamento regular, aos quais se somam 2,41 mil milhões de dólares (2,03 mil milhões de euros) em missões de manutenção de paz atuais e passadas.