A pressão crescente por resultados rápidos nos laboratórios está a abrir caminho para a Inteligência Artificial (IA). Num cenário onde as equipas laboratoriais não crescem ao mesmo ritmo da procura, a tecnologia surge como uma aliada para automatizar tarefas repetitivas e acelerar processos críticos, como o controlo de qualidade alimentar.

Um dos avanços mais promissores foca-se na visão computacional. Modelos de IA estão a ser treinados para identificar microcolónias bacterianas em fases precoces de incubação, detetando crescimento que ainda é invisível ao olho humano. Esta leitura antecipada pode reduzir drasticamente o tempo que um lote de produtos fica retido antes de seguir para o mercado, aliviando a pressão sobre a cadeia de produção.

Apesar do potencial, a infalibilidade da IA ainda é um mito. Um estudo de 2025 publicado na NPJ Science of Food revelou que um modelo de IA chegou a confundir resíduos microscópicos de alimentos com bactérias em 24,2% dos casos. Numa escala industrial, este tipo de erro pode causar falsos alarmes, forçar verificações adicionais e acabar por atrasar o processo que pretendia acelerar.

Especialistas alertam que a diversidade de amostras e as interferências ambientais tornam impossível eliminar totalmente o risco de erro. Por isso, o consenso científico é claro: a IA deve ser uma ferramenta de apoio, mas a validação final e a responsabilidade ética e técnica continuam a pertencer aos humanos.

O equilíbrio entre a automação e o rigor científico será um dos temas centrais do LabSummit® 2026, que decorre de 7 a 9 de maio, em Coimbra. O evento dedicará um pilar exclusivo à Inteligência Artificial, reunindo especialistas para discutir até que ponto os laboratórios podem delegar tarefas a sistemas autónomos sem perder o controlo sobre os processos.

O futuro do setor aponta para uma integração progressiva da tecnologia, mas o “selo de aprovação” continuará a exigir o olhar crítico e a experiência do profissional de laboratório.