A sessão de quarta-feira não teve grandes percalços, uma vez que foi dia de conhecer as atas da reunião da Reserva Federal (Fed) de janeiro.

As atas ajudaram os investidores a ter uma maior noção da inclinação da Fed para um corte das taxas de juro ou não.

Os olhos estiveram no petróleo, que viu o seu preço subir devido às incertezas nas negociações entre os Estados Unidos e o Irão, que estiveram reunidos na terça-feira, tendo a negociação resultado num “acordo geral sobre princípios”. “O preço do petróleo WTI subiu no início da sessão de quarta-feira, ultrapassando os 62 dólares por barril. Em larga medida, ao longo das últimas sessões, os preços têm sido impulsionados pelas expectativas em torno do desfecho das negociações em curso entre os EUA e o Irão”, refere Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.

“Embora a possibilidade de um conflito em larga escala continue a ser um cenário realista para alguns, existe também a esperança de que um resultado negociado evite um confronto militar que, a ocorrer, afetaria não só as exportações de petróleo de Teerão, mas também a produção mais ampla do Golfo que transita pelo Estreito de Ormuz. Neste contexto, o anúncio por parte do Irão de que iria encerrar secções do estreito para realizar exercícios militares aumentou a apreensão nos mercados. A escalada das tensões travou a queda dos preços registada na sessão anterior, refletindo o aumento dos riscos do lado da oferta”, salienta.

Os analistas da XTB referem que “a probabilidade de um acordo completo é atualmente avaliada como moderada. Enquanto Donald Trump procura um “acordo”, está simultaneamente a empregar uma estratégia de “pressão máxima”, combinando ameaças militares com alavancagem económica, incluindo a ameaça de tarifas de 25% sobre as nações que negociam com Teerão”.

“Embora o prémio geopolítico permaneça limitado na ausência de um incidente direto, a evolução dos preços no ano passado sugere um potencial aumento de 10 a 20 dólares por barril na eventualidade de um confronto, embora tal movimento seja provavelmente de curta duração”, apontam.

Para além de estar em negociações com o Irão, os Estados Unidos também chegaram a um acordo comercial com o Japão, no valor de 550 mil milhões de euros, segundo avançou o presidente norte-americano, Donald Trump, na rede social Truth Social. “O pacote, delineado em outubro do ano passado, surge como um quid pro quo para reduzir as tarifas dos EUA sobre exportações japonesas, em troca de investimento na base industrial americana. Entre os projetos referidos contam-se uma central a gás em Ohio, um terminal de exportação de crude no Texas e uma fábrica de diamantes sintéticos utilizados na produção de semicondutores, embora os detalhes finais e o calendário de execução ainda não sejam totalmente claros”, declara Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe.

“Apesar de o valor anunciado ser elevado, a leitura inicial indica que os novos investimentos líquidos poderão ser relativamente reduzidos, possivelmente entre 5% e 10% do montante total. A maior parte do envelope parece corresponder a financiamento de projetos já previstos ou que poderiam avançar mesmo sem este enquadramento”, explica o analista.

Tecnologia na mira

São vários os países que têm adotado uma política mais restritiva sobre as redes sociais, nomeadamente de as limitar a menores de 16 anos. As novas regulações representam uma ameaça para as tecnológicas que detêm essas plataformas.

“Perante esta situação, as Big Tech terão de implementar uma transformação estrutural dos modelos de negócio. O futuro exigirá um equilíbrio entre proteção de menores, privacidade e viabilidade económica, sendo que a harmonização internacional das leis é essencial para evitar a fragmentação regulatória”, afirmam os analistas da XTB.

Mas não são só as novas legislações que estão a afetar o desempenho das tecnológicas, “outros fatores estão a pesar na performance das empresas tecnológicas, como a perspetiva das taxas de juro, resultados empresariais e gastos de Capex, questões geopolíticas, etc”, revelam os analistas.

“É bastante visível que o mercado está a antecipar o impacto das novas medidas regulatórias nos lucros, margens e receitas destas empresas no futuro. Ainda assim, é importante lembrar que as quedas nas tecnológicas têm sido transversais, pelo que não podemos correlacionar exclusivamente estas quedas com a legislação de proteção de menores”, salientam.