A venda da Indaqua promete ser o maior negócio do ano, só superado pela venda da Logoplaste cujo encerramento da transação só está previsto para o final do ano.

Para concretizar a venda, o fundo Infrastructure Partners, contratou o apoio financeiro dos bancos Société Générale e Citi.

O processo competitivo de venda da Indaqua, o maior operador privado de concessões municipais de água em Portugal, está previsto arrancar em meados de fevereiro. Uma vez que os assessores financeiros, Société Générale e Citi, já começaram o pré-marketing junto de fundos de private equity internacionais, sabe o Jornal Económico.

O pré-marketing em M&A é a fase estratégica inicial onde se prepara uma empresa para venda ou fusão, identificando alvos, criando materiais (como teasers), e construindo relacionamentos com potenciais compradores.

Fundos de todas as partes do mundo foram contactados, apurou o Económico, e uma vez que o valor referência para o ativo ronda os 800 milhões de euros, deverá atrair fundos do calibre do KKR.

O negócio é considerado uma das maiores transações de fusões e aquisições (M&A) em Portugal para este ano. Já que o valor mínimo estimado é de 800 milhões de euros. Ou seja, tem forte probabilidade se superar o valor da venda de 49,9% da TAP.

Este é um negócio que se prevê atrair o interesse dos grandes fundos de infraestruturas, dada a relevância da Indaqua em Portugal e os elevados valores que se podem estar em causa.

Segundo as nossas fontes, o potencial comprador da Indaqua terá de ser alguém com conhecimento de mercados regulados mas numa lógica de private equity pois para chegar àqueles valores não podem ser apenas as concessões atuais.

A Antin Infrastructure Partners, uma empresa francesa de gestão de fundos de private equity com foco de investimentos em infraestruturas, deu início ao processo de alienação da Indaqua quando contratou os assessores financeiros no fim do ano passado.

Recorde-se que em 2023 houve uma tentativa de venda, que não se concretizou. O fundo britânico Equitix, especializado no setor de infraestruturas, esteve em negociações exclusivas para adquirir a Indaqua à Antin por um valor de cerca de 800 milhões de euros. Mas a operação falhou após o Equitix não ter conseguido angariar o capital necessário para atingir o montante pedido pelo vendedor. É portanto daí que surge o valor referência para este negócio.

Esta avaliação da Indaqua incluía também a Plainwater (empresa que opera no setor de abastecimento e tratamento de águas residuais, detida pela Indaqua).
Não há quaisquer indicação de que o valor da Indaqua tenha sido revisto em baixa, pelo contrário, a Indaqua tem realizado aquisições que sustentam uma valorização estável ou crescente.

A Indaqua, liderada por Pedro Perdigão, demonstrou dinamismo com a sua expansão internacional recente. Em fevereiro deste ano, a empresa portuguesa concluiu a aquisição da espanhola Hidrogestión à Cobra IS, uma subsidiária do grupo Vinci. O valor desta aquisição não foi divulgado. Este negócio surge apenas dois anos após a sua primeira entrada no mercado espanhol de abastecimento de água, com a compra da Fusosa.

Em setembro de 2025, a Indaqua assegurou um financiamento de 358 milhões de euros junto da Schroders Capital e do Santander, destinado a reforçar a sua estrutura de capital e apoiar o crescimento futuro.

Já em janeiro de 2026, a empresa liderada por Pedro Perdião reforçou o seu portfólio internacional ao assinar dois contratos de gestão em Angola, avaliados em 10 milhões de euros. Os dois contratos, com um valor agregado acima de 10 milhões, são financiados pelo Banco Europeu de Investimentos (BEI) até julho de 2028 e inserem-se no segundo projeto de desenvolvimento institucional do setor da água implementado em Angola.

A noticia foi divulgada no passado dia 19 deste mês e dava conta que o grupo português Indaqua assinou dois contratos de gestão com as Empresas Públicas de Águas e Saneamento (EPAS) das províncias angolanas do Namibe e da Lunda Norte. No âmbito deste projeto financiado pelo BEI o grupo Indaqua vai deslocar para o terreno 20 especialistas dedicados à melhoria dos serviços de água e saneamento nas duas províncias, abrangendo uma população superior a 1,5 milhões de habitantes, anunciou a empresa de gestão de água e tratamento de águas residuais. Os trabalhos no terreno, que vão ser desenvolvidos através da subsidiária Vista Water, integram ainda a formação de 12 quadros e vão durar três anos.

A Indaqua é controlada pelo fundo Antin desde 2020, quando este adquiriu a empresa à Bridgepoint (que anteriormente tinha comprado a empresa à Miya/Arison Group).