A semana começou a meio gás, com as bolsas dos Estados Unidos, China e Canadá fechadas devido a feriados nacionais. Contudo os índices europeus conseguiram voltar aos ganhos, depois de terem fechado a semana com perdas.
Com tantas interrupções, a primeira sessão da semana foi pouco volátil e sem variações impactantes. Apesar da inação dos primeiros dias, ao longo da semana “a atenção dos investidores deverá centrar-se na divulgação das atas da Fed e em vários discursos de responsáveis do banco central, que poderão ajustar as expectativas quanto à trajetória da taxa de referência dos EUA. Alguns indicadores macro relevantes, sobretudo nos EUA e na Europa, serão também avaliados para aferir a solidez do crescimento económico e a persistência das pressões inflacionistas”, revela Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe.
Esta quarta-feira vão ser divulgadas as atas da reunião de janeiro da Fed, “que poderão oferecer maior clareza quanto à trajetória provável dos cortes de taxas da Fed. O mesmo se aplica à publicação do índice de preços PCE, a medida de inflação preferida da Fed, com divulgação prevista para sexta-feira. Ambas as divulgações têm potencial para moldar as expectativas do mercado, que atualmente apontam para entre dois e três cortes de taxas em 2026, influenciando o desempenho do dólar norte-americano e, por sua vez, os preços do ouro, tendo em conta a correlação inversa entre os dois ativos”, refere Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.
A semana de 13 de fevereiro terminou com a divulgação dos dados da inflação norte-americana, que abrandou para 2,4% em janeiro, face aos 2,7% registados em dezembro. A inflação em cadeia também desacelerou para 0,2%.
Os valores ficaram abaixo das espectativas dos analistas, e juntamente com os dados, já divulgados, do emprego, aumentaram a probabilidade da Reserva Federal (Fed) baixar as taxas de juro. “Antes da divulgação destes dados, o cenário base dos investidores apontava para dois cortes de 25 pontos base em 2026. Imediatamente após a publicação, registou-se um aumento das apostas num terceiro corte, que, entretanto, já apresenta uma probabilidade próxima dos 50%”, afirma Ricardo Evangelista.
O analista salienta ainda que “depois da publicação dos dados da inflação, o dólar registou ligeiras perdas face às principais divisas, enquanto as yields da dívida soberana recuaram ligeiramente, refletindo expectativas de que a política monetária da Fed se torne ainda mais dovish, num contexto em que a inflação se aproxima do objetivo de 2%”.
Durante a semana o dólar continuou a limitar as subidas do ouro, tendo o ouro chegado a níveis ligeiramente abaixo dos 5.000 dólares. “O metal precioso tem estado sob pressão na sequência da recente recuperação do dólar norte-americano, que se valorizou face às restantes principais moedas após a divulgação de dados do emprego nos Estados Unidos acima do esperado”, revela o investidor.
“O fortalecimento do dólar cria um obstáculo ao metal precioso, devido à correlação inversa entre os dois ativos, limitando o potencial de subida dos preços do ouro”, explica.
A inteligência artificial (IA) continua a pressionar os mercados, tendo na quinta-feira os índices norte-americanos caído. “O gatilho foi o anúncio de uma nova ferramenta de inteligência artificial da Algorithm Holdings, que promete ganhos de eficiência dramáticos no setor dos transportes. As ações da empresa dispararam 30%, mas as quedas generalizadas nas transportadoras pressionaram os índices, com o S&P 500 a encerrar a sessão com uma descida de 100 pontos”, afirma Henrique Valente.
“O contágio chegou aos metais preciosos, onde ouro e prata permanecem voláteis. A correlação entre classes de ativos tem aumentado este ano, deixando os investidores mais cautelosos face a eventos de risco”, revela.