O Investimento Direto Estrangeiro (IDE) em Moçambique aumentou 69,7% em 2025, até setembro, para 4.724 milhões de dólares (4.111 milhões de euros), continuando a ser impulsionado pelos Grandes Projetos (GP) e pela indústria extrativa, segundo dados oficiais.

“A indústria extrativa manteve a sua posição como maior recetora de fluxos de investimento, com um total de 4.417 milhões de dólares [3.845 milhões de euros]”, lê-se no mais recente relatório da balança de pagamentos do Banco de Moçambique.

Dentro dessa indústria, só o setor de petróleo e gás absorveu em nove meses de 2025 um total de 3.578 milhões de dólares (3.115 milhões de euros), enquanto a extração de carvão cresceu 14,6%, também em termos homólogos, para 625 milhões de dólares (545 milhões de euros).

O volume total do IDE captado por Moçambique de janeiro a setembro do ano passado compara com os 2.784 milhões de dólares (2.424 milhões de euros) do mesmo período de 2024, com os GP a liderarem (83,7%), tal como em trimestres anteriores.

Entre os principais países de origem dos fluxos de IDE em Moçambique destacam-se os Países Baixos, com um peso de 40,8% do total, seguindo-se a Itália (22%), Maurícias (16,9%) e África do Sul (14,1%).

Moçambique prevê um recorde de Investimento Direto Estrangeiro em 2026, de 5,88 mil milhões de dólares (5,12 mil milhões de euros), um aumento de 22,6%, impulsionado pelos projetos de gás natural.

Esse crescimento será “influenciado pela implementação de projetos estruturantes na bacia do Rovuma”, de produção de gás natural liquefeito (GNL), referem os documentos de suporte à proposta de Plano Social e Económico e Orçamento do Estado (PESOE) para 2026.

O investimento direto estrangeiro em Moçambique tinha crescido 41,5% em 2024 e 2% em 2023.

Moçambique tem três megaprojetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de GNL da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo de Cabo Delgado.

Um desses projetos é da TotalEnergies e outro da ExxonMobil (18 mtpa), de 30 mil milhões de dólares (26,1 mil milhões de euros), que aguarda decisão final de investimento, ambos em Afungi.

Soma-se o da italiana Eni, que já produz desde 2022 cerca de sete mtpa, a partir da plataforma flutuante Coral Sul, que será duplicada a partir de 2028 com a plataforma Coral Norte, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros).