O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, e o Presidente, Josep Aoun, classificaram como “irresponsável” e “perigoso” o ataque lançado hoje pelo grupo xiita Hezbollah contra o norte de Israel, condenando igualmente a ofensiva israelita contra o Líbano.

“Independentemente de quem esteja por detrás, o lançamento de projéteis a partir do sul do Líbano é um ato irresponsável e suspeito, que coloca em risco a segurança e a proteção do Líbano, e fornece pretextos a Israel para continuar com a sua agressão”, denunciou Salam na sua conta na rede social X.

“Não permitiremos que o país seja arrastado para novas aventuras e tomaremos todas as medidas necessárias para capturar os autores e proteger o povo libanês”, acrescentou o chefe do Executivo.

O Presidente do país reiterou a mensagem, declarando que “o lançamento de foguetes a partir do território libanês põe em risco todos os esforços do Estado para manter o Líbano longe dos perigosos confrontos militares que assolam a região”.

Aoun condenou também “os ataques israelitas” contra o país, que foi já hoje atingido pela artilharia israelita em Beirute.

“Condenamos os ataques israelitas a territórios libaneses”, afirmou o chefe de Estado, quando o Estado hebraico anunciou já a intensificação dos ataques contra o sul do Líbano, numa nota divulgada na rede de mensagens Telegram.

“Os ataques continuam e a sua intensidade vai aumentar”, escreveu o general Rafi Milo, chefe do Comando Norte das forças israelitas, num comunicado, garantindo que o Hezbollah “pagará um preço alto” pelo seu apoio a Teerão.

O Hezbollah, movimento xiita aliado do Irão, reivindicou um ataque contra instalações militares ao sul da cidade israelita de Haifa como resposta à morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e à continuação dos bombardeamentos israelitas contra o Líbano, apesar do cessar-fogo de 2024.

O Governo libanês vinha há dias a procurar garantias de que o Hezbollah não se envolveria, caso os Estados Unidos atacassem o Irão.

Antes do início dos bombardeamentos dos Estados Unidos e Israel contra o Irão no sábado, o Hezbollah fez, no entanto, saber que qualquer ataque contra Ali Khamenei era uma linha vermelha.

Entre 2023 e 2024, a formação libanesa travou um conflito com Israel, que começou como uma demonstração de apoio a Gaza e acabou por provocar mais de 4.000 mortos e 1,2 milhão de deslocados no Líbano.