O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou hoje que “cabe ao povo iraniano escolher o seu novo líder” e “a mais ninguém”, numa entrevista à NBC, três dias depois de Trump ter alegado estar “envolvido” no processo de seleção.
“Não permitiremos que ninguém interfira nos nossos assuntos internos. Cabe ao povo iraniano escolher o seu novo líder. (…) Esta é uma questão que diz apenas respeito ao povo iraniano, e a mais ninguém”, declarou Araghchi, acrescentando que “é Donald Trump que deve pedir desculpa” pela guerra no Médio Oriente.
“É óbvio que os nossos mísseis não podem atingir o território americano”, referiu o ministro.
“O que podemos fazer é atacar as bases e instalações americanas à nossa volta”, acrescentou.
A Assembleia de Peritos nomeou o novo líder supremo iraniano para suceder ao ‘ayatollah’ Ali Khamenei, morto a 28 de fevereiro por ataques israelitas e americanos, anunciou hoje Teerão, sem revelar o nome do eleito.
Na quinta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, tinha afirmado que queria ser envolvido na escolha do sucessor de Ali Khamenei como líder supremo do Irão, e rejeitou que o seu filho, Mojtaba Khamenei, possa ser uma opção.
A guerra, que Israel e os Estados Unidos iniciaram com ataques aéreos em 28 de fevereiro, já matou pelo menos 1.230 pessoas no Irão, mais de 300 no Líbano e cerca de uma dúzia em Israel, de acordo com autoridades. Há também seis soldados norte-americanos entre os mortos.
O conflito abalou os mercados globais, interrompeu as viagens aéreas e enfraqueceu a liderança do Irão com centenas de ataques aéreos israelitas e americanos.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, disse hoje que o efeito da guerra sobre a indústria petrolífera continua a aumentar, alertando que em breve poderá tornar-se mais difícil produzir e vender petróleo.
Alguns produtores regionais, incluindo o Iraque, já reduziram a produção devido aos perigos no Estreito de Ormuz.