O primeiro vice-presidente do Irão afirmou que se os Estados Unidos derem prioridade aos seus interesses em vez dos de Israel pode haver acordo nas negociações de paz que se iniciam este sábado no Paquistão.

“Se negociamos em Islamabad com representantes dos ‘Estados Unidos primeiro’, é provável alcançar um acordo que beneficie ambas as partes e o mundo”, escreveu hoje Mohamed Reza Aref, primeiro vice-presidente do Irão, na rede social X, citado pela agência Efe.

A horas do início das negociações entre as delegações dos Estados Unidos e do Irão em Islamabad, Aref acrescentou que se Teerão enfrentar “representantes de ‘Israel primeiro’, não haverá acordo”.

Nesse caso, assinalou que “inevitavelmente o Irão continuará a sua defesa com ainda mais firmeza do que antes, e o mundo enfrentará maiores custos”.

Já o presidente do parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, que encabeça a delegação do seu país nas negociações, afirmou que mantém a “boa vontade” de negociar, mesmo que tenha realçado a sua absoluta falta de confiança nos Estados Unidos.

“Temos boa vontade, mas não confiamos nos Estados Unidos devido às experiências das últimas negociações”, disse, em referência às negociações sobre a questão nuclear de 2025 e de janeiro, que terminaram em ofensivas israelo-americanas contra o país persa.

Além de Qalibaf, fazem parte da delegação iraniana o ministro dos Negócios Estrangeiros Abbas Araghchi e o secretário do Conselho de Defesa do Irão, Ali Akbar Ahmadian, entre outras autoridades do setor militar e financeiro.

JD Vance já chegou ao Paquistão

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, chegou este sábado ao Paquistão para dar início às negociações entre os Estados Unidos e o Irão para pôr fim à guerra no Médio Oriente, noticiam as agências internacionais.

O vice-presidente, que lidera a delegação norte-americana, foi recebido pelo poderoso chefe do exército paquistanês, Asim Munir, à chegada à base aérea de Nur Khan, perto de Islamabad.

Além de JD Vance, a delegação norte-americana é constituída pelos enviados da Casa Branca Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Donald Trump.

A delegação do Irão, liderada pelo presidente do parlamento, Mohammed Bagher Qalibaf, aterrou na sexta-feira à tarde em Islamabad, segundo noticiaram então os media iranianos.

Segundo a televisão estatal do Irão, as negociações só começarão se os norte-americanos, liderados pelo vice-presidente, JD Vance, aceitarem as condições prévias do Irão.

Pouco antes da partida, o líder parlamentar iraniano tinha afirmado nas redes sociais que faltava cumprir duas condições acordadas mutuamente – um cessar-fogo no Líbano, alvo na quinta-feira de um ataque sem precedentes por Israel, e a libertação de ativos iranianos bloqueados.

O levantamento do congelamento dos ativos iranianos sujeitos a sanções não tinha sido mencionado publicamente por Teerão como condição prévia para as negociações, embora esteja incluído na lista de dez exigências para um acordo de paz.

Israel e Estados Unidos consideram que o Líbano não está abrangido pelo cessar-fogo em vigor, apesar de a mediação paquistanesa ter dito inicialmente o contrário.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, qualificou na sexta-feira as conversações como um momento “decisivo”, mesmo que seja “difícil”.

O controlo do estreito de Ormuz, por onde passavam 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo antes da guerra lançada em 28 de fevereiro por Estados e Israel contra o Irão, está no centro das negociações de paz, em Islamabad, no fim de semana, entre as delegações norte-americana e iraniana.

O Irão e os Estados Unidos tinham afirmado que o estreito de Ormuz seria desbloqueado depois de terem anunciado na terça-feira à noite um cessar-fogo de duas semanas, mas desde então apenas um pequeno número de navios conseguiu utilizar esta via marítima estratégica colocada sob ameaça militar por Teerão.

Trump diz que estreito de Ormuz reabre “em breve”

Donald Trump afirmou também este sábado que o estreito de Ormuz reabrirá “em breve”, com ou sem colaboração do Irão, e que não aceitará a cobrança de portagens a navios pelo atravessamento.

“Vamos abrir o golfo – ou o estreito, como lhe chamam – com ou sem eles (Irão). (…) Vai acontecer bastante rápido”, declarou Trump aos jornalistas, antes de embarcar num voo para a Virgínia.

No dia em que as delegações norte-americana e iraniana chegaram ao Paquistão para conversações de paz, Trump mostrou-se seguro de que o estreito abrirá “em breve”, sem que surjam portagens “em águas internacionais”.

“Se estão a fazer isso (cobrança de portagens), ninguém sabe se já o fazem, não iremos permitir”, acrescentou.

Trump afirmou que as negociações de paz têm como prioridade norte-americana, a “99%”, impedir que o Irão consiga obter armas nucleares, tendo desejado sorte ao seu vice-presidente, JD Vance, que lidera a comitiva.

Paquistão espera participação construtiva

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão disse, entretanto, esperar que o Irão e os Estados Unidos “participem de forma construtiva” nas conversações de paz.

O chefe da diplomacia paquistanesa, Ishaq Dar, disse também “reiterar o desejo do Paquistão de ajudar as partes a chegar a uma solução duradoura para o conflito”, segundo um comunicado divulgado pouco após a chegada da delegação norte-americana a Islamabad.

Em Islamabad, as ruas normalmente muito movimentadas da capital paquistanesa estão este sábado desertas devido aos bloqueios das forças de segurança em antecipação das conversações.