Como é que o basquetebol pode ganhar novamente protagonismo no panorama das modalidades de pavilhão em Portugal?

O basquetebol tem ativos muito fortes: é global, dinâmico e identificado com valores positivos. O nosso basquetebol tem crescido nos últimos anos e a prova disso é que tem mais jogadores, treinadores e juízes do que alguma vez teve. As suas seleções nacionais, nomeadamente as seniores, têm tido um desempenho ímpar na nossa história. Esta é uma das vias para a notoriedade no panorama das modalidades de pavilhão. Os jogadores e jogadoras que começam a surgir como referências da modalidade são, igualmente, importantes.

Precisamos de dar continuidade a este caminho e para isso necessitamos de mais praticantes, de melhor espetáculo, de maior proximidade ao público, de melhor qualidade no jogo e, naturalmente, na sustentabilidade de toda a modalidade. Isso faz-se investindo na formação de todos os agentes, na qualidade das competições e numa comunicação moderna que aproxime o jogo das pessoas.

O que é que está a faltar à modalidade e que esta candidatura pode aportar para os próximos anos?

Essencialmente, falta passar das palavras aos atos. E isso só pode ser feito por quem conhece a realidade, quem sabe exatamente o que todos os agentes necessitam e aquilo que o Basquetebol em Portugal necessita. E a nossa equipa sabe o que tem de ser feito e como fazer!

Tudo isto assente numa visão estratégica bem definida, valorização das competições e maior articulação entre agentes, clubes, associações e federação. Uma gestão mais próxima dos agentes e específica para realidades diferenciadas, permite decisões mais corretas, aproxima e une as pessoas do basquetebol.

Uma gestão financeira mais rigorosa, que garanta a sustentabilidade financeira da FPB e do basquetebol em geral, feita através de opções criteriosas de aplicação de recursos tendo por base os objetivos estratégicos definidos, mas também através da procura da diversificação das fontes de financiamento das nossas atividades. Capacitar a gestão dos clubes através de programas de Formação dos Dirigentes, para desse modo ajudá-los a estarem mais aptos para uma gestão moderna e adequada aos nossos dias. Sem sustentabilidade financeira o desenvolvimento torna-se mais difícil porque a lógica que prevalece é a da sobrevivência no dia-a-dia.

Esta candidatura traz visão de longo prazo, capacidade de organização e cultura de exigência, para transformar potencial em crescimento sustentado. De uma forma basquetebolística, podemos dizer que falta colocar a bola no cesto!

O basquetebol, enquanto produto que seja atrativo para as marcas e patrocinadores, está a ser bem explorado (no bom sentido)?

Nos últimos anos o valor dos patrocínios tem vindo a crescer, o que é revelador da notoriedade que a modalidade tem vindo a granjear. Mas existe, claramente, uma margem para crescer. O basquetebol tem atributos muito valorizados pelas marcas — é dinâmico, urbano, jovem e com forte componente de valores.

O que precisamos é de estruturar melhor a proposta de valor, profissionalizar a abordagem comercial e trabalhar o produto de forma integrada entre Federação, Associações e Clubes. Com uma estratégia de marketing diferenciada e mais adaptável, o basquetebol pode aumentar significativamente a sua atratividade para patrocinadores.

O objetivo é que o basquetebol seja visto como uma plataforma de comunicação valiosa para parceiros. Mais uma vez, teremos de passar da intenção à prática!

No que diz respeito a investidores: como é que o basquetebol pode trabalhar no sentido de ser atrativo neste aspeto?

Há alguns traços comuns relativamente ao que os investidores procuram quando se associam a uma modalidade: credibilidade, previsibilidade, profissionalismo, projetos com escala e retorno de imagem.

O caminho passa por reforçar a atratividade das competições, melhorar a governança, aumentar a transparência financeira e desenvolver produtos competitivos bem estruturados. Ao mesmo tempo, é essencial trabalhar a questão dos direitos, a qualidade do espetáculo e a visibilidade mediática

É também importante criar projetos estruturados e não apenas iniciativas pontuais.

Com regras claras e uma visão de longo prazo, o basquetebol português pode tornar-se muito mais interessante para investimento.

As infraestruturas são decisivas para a capacidade da modalidade ganhar um novo alento: essa é uma situação que deve ser acompanhada por parte do Estado, no sentido de dotar os equipamentos das melhores condições?

Sem dúvida, e damos como exemplo a dificuldade que temos em encontrar pavilhões em Portugal com condições para a realização de jogos das nossas seleções seniores.

Temos conhecimento de clubes que têm que dispensar jovens jogadores pelo facto de não terem pavilhões para treinar. Esse é um problema que afeta as restantes modalidades de pavilhão, mas no nosso caso temos dados concretos em como isso prejudica o nosso crescimento.

O acesso a pavilhões desportivos inseridos em escolas, mediante a antecipação dos horários a partir dos quais estão disponíveis, possibilitaria uma utilização mais eficiente e um aumento do número de jovens praticantes.

O papel do Estado e das autarquias é fundamental, mas a Federação deve ser parceira ativa, ajudando a definir prioridades e a maximizar o uso dos equipamentos. Se olharmos para o que foi feito recentemente, a Federação também já implementou um projeto pioneiro com a criação de recintos de 3×3 por várias dezenas de municípios. Investir em infraestruturas é investir na prática desportiva e nos jovens.

Portugal tem tido boas campanhas nas provas internacionais: há aqui um crescimento em termos de competitividade? Como é que pode ser melhorada?

As classificações em competições e os rankings FIBA demonstram que há um notório crescimento da competitividade do nosso basquetebol. Em particular as nossas Seleções Nacionais Seniores têm subido nos últimos anos, a Seleção Feminina, por exemplo, conseguiu a sua 1ª presença no Eurobasket em 2025, mas temos tido outros casos de sucesso. Também no 3×3 temos tido alguns sucessos, sobretudo no setor feminino.

A presença constante em fases finais de europeus tem de passar a ser um desígnio da modalidade. Tudo começa na formação, na deteção e no desenvolvimento dos nossos jovens talentos. Manter o investimento na formação; dar melhores contextos competitivos aos atletas e garantir estabilidade nos projetos das seleções, são fatores essenciais para sermos bem-sucedidos.

Uma competitividade internacional sustentada constrói-se com visão e estratégia a médio/longo prazo.

Portugal tem Neemias Queta a despontar na NBA: quão importante é trabalhar estes ídolos para ser porta-estandarte da modalidade e atrair mais praticantes?

Ter o Neemias a jogar nos Boston Celtics é extraordinário para o basquetebol português. Os ídolos inspiram, criam identificação e aproximam os jovens da modalidade e extravasam o âmbito do próprio basquetebol ao alcançarem pessoas que não têm qualquer ligação com a modalidade.

Aquilo que queremos é ver cada vez mais jovens a usar a camisola 88 do Neemias e ver mais jogadores portugueses a envergarem camisolas de equipas da NBA. Mas a promoção daqueles que jogam em Portugal é igualmente importante, dado que são representativos da realidade que nos é mais próxima.

O nosso papel é valorizar essas referências, mas também mostrar que há um caminho em Portugal para quem quer praticar basquetebol. O ídolo abre a porta — a Federação tem de acolher quem entra e garantir que têm todas as possibilidades de concretizarem os seus próprios sonhos!