Os jornalistas da revista Visão já obtiveram mais de 90% da meta de financiamento pretendida. Dos 200 mil euros pretendidos, a recolha de fundos já superou os 181 mil euros a meio da tarde desta sexta-feira.
“Acreditamos que sim, que temos todas as possibilidades de adquirir o titulo no leilão que se realizará, esperando que este dinheiro arrecadado seja também usado no relançamento da revista”, disse ao Jornal Económico a subdiretora Alexandra Correia prevendo que o leilão decorra nos próximos dois meses.
Entre as 4 mil doações, destaca-se uma de 25 mil euros de um anónimo, sendo este o maior valor até ao momento. A doação decorre nesta página.
Destacando que a publicação conta com apenas 12 jornalistas, explica que “existem áreas críticas que estão agora sem ninguém, como por exemplo o apoio ao cliente para relançarmos as assinaturas ou a área comercial, para a questão da publicidade”.
“Tem sido esmagador este apoio todo dos nossos leitores e do público em geral, muito além do que imaginávamos. O que só prova que a Visão tem espaço para crescer ainda mais, aliás, as vendas em bancas aumentaram bastante nos últimos meses. E a Visão somos nós também, os jornalistas que a fazem, não apenas um título esvaziado”, sublinhou.
Os jornalistas destacam que têm estado a trabalhar desde 1 de agosto de 2025 em teletrabalho e com “vários salários em atraso”.
Para o arranque da nova fase há vários custos a ter em conta: “de impressão, de produção, de equipamentos, de licenças de software, de armazenamento de dados, de telecomunicações e, naturalmente, de salários”.
“Temos um plano de negócios, prudente e realista, com um horizonte a 10 anos, que demonstra que a Visão é financeiramente sustentável com as receitas que gera”, pode-se ler na página de recolha de fundos.
A revista Visão foi criada inicialmente em 1993, tendo mais tarde passada a ser controlada pelo grupo Impresa. Em 2018, foi vendida à Trust in News de Luís Delgado, empresa que foi à falência em 2025.
“O nosso propósito é que a revista viva graças aos seus leitores e anunciantes. Não à custa de subsídios ou de apoios do Estado”, defendem os jornalistas da Visão.
“A ideia é começar com uma estrutura muito reduzida, semelhante àquela com que temos estado a funcionar. Depois, num horizonte temporal relativamente curto, segundo o nosso plano de negócios, queremos ir reforçando a redação – o coração deste projeto – tanto na edição impressa como no digital. Aos poucos, queremos retomar a publicação da VISÃO História, da VISÃO Biografia, da VISÃO Júnior, da VISÃO Saúde e de outras marcas com a chancela VISÃO, que têm um público fiel e ativo”, argumentam.
“A margem operacional que existir deve ser usada para investir em jornalistas e no jornalismo – com salários dignos, condições de trabalho adequadas, capacidade para atrair os melhores colaboradores e meios para investir em reportagens e dossiers que fazem a diferença”, concluem.