Júlia Santos da Cruz é a nova presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Valores de Cabo Verde (BCV), tornando-se a primeira mulher a assumir o cargo.

Administradora executiva durante o mandato 2021-2025, Júlia Santos da Cruz sucede a Miguel Monteiro, que cessa funções depois de ter sido nomeado diretor-geral do secretariado executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A constituição do Conselho de Administração da BCV para o próximo mandato foi tornada pública pelo vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, na sexta-feira, que confirmou a continuidade de Márcia Teixeira como administradora executiva, bem como a integração de Marcelo Correia.

“Recebi hoje o novo Conselho de Administração da Bolsa de Valores de Cabo Verde. Agradeci, em nome próprio e em nome do Governo, ao Dr. Miguel Monteiro pelo trabalho realizado à frente da instituição e felicitei-o por ter vencido o concurso internacional para o cargo de Diretor-Geral do Secretariado Executivo da CPLP, um reconhecimento que prestigia Cabo Verde. Júlia Alves Santos da Cruz recebeu a responsabilidade de assumir a presidência do Conselho de Administração da Bolsa de Valores de Cabo Verde”, lê-se na nota publicada pelo governantes nas redes sociais.

Licenciada em Economia pelo Instituto de Economia e Gestão (ISEG) e mestre em Economia Monetária e Financeira pelo ISCTE, Júlia Santos foi presidente do Conselho de Administração e administradora delegada da Sociedade Gestora do Fundo de Pensões do Banco de Cabo Verde antes de integrar o BCV.

“Reforcei o compromisso do Governo com a nova administração, que contará com todo o apoio institucional para prosseguir o projeto de fortalecimento da Bolsa de Valores e do sistema financeiro nacional. Reitero a importância de instituições sólidas e perenes. É nelas que assenta o desenvolvimento económico sustentável de Cabo Verde”, acrescenta o ministro Olavo Correia na mesma nota.

2021-2025: “Modernização, inovação e reforço do papel do mercado de capitais”

No início do ano, o presidente cessante fez um balanço dos cinco anos de mandato e de execução do Plano Estratégico 2021–2025 da BCV. “Foi um ciclo marcado por modernização, inovação e reforço do papel do mercado de capitais no financiamento da economia cabo-verdiana”, escreveu na sua página nas redes sociais.

Miguel Monteiro listou, entre os cinco grandes marcos do ciclo agora terminado, a Plataforma Blu-X e a parceria com o PNUD – sete emissões sustentáveis (blue, green e social bonds), num total de cerca de 4,5 mil milhões de escudos -, a dual listing na Bolsa de Luxemburgo (LuxSE), que classificou como um “passo decisivo na projeção internacional de Cabo Verde”, a parceria com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), nomeadamente o apoio ao primeiro master plan do mercado de capitais e instrumentos como Market Maker e REPO, o “marco histórico” da capitalização bolsista acima dos 100 mil milhões de escudos e, ainda, a dinamização dos mercados primário e secundário, com 34 operações de financiamento a empresas e municípios, com 2025 como ano recorde”.