Lisboa é a região de Portugal com remunerações mais elevadas, sobretudo em funções ligadas à tecnologia, banca, finança e liderança estratégica, revela o Guia Salarial 2026 da Adecco Portugal, divulgado esta segunda-feira, 9. Estudo analisa as tendências salariais e de contratação em 14 setores-chave da economia portuguesa.
Nas tecnologias de informação, os perfis altamente especializados, escassos e de elevada exigência técnica, lideram a tabela salarial, com funções como cloud engineer, data engineer ou especialistas em ERP (SAP) a ultrapassar os 100 mil euros anuais.
Nos perfis financeiros, funções de liderança como diretor financeiro podem atingir os 140 mil euros anuais em Lisboa e 120 mil no Porto enquanto funções estratégicas intermédias são cada vez mais valorizadas.
Em concreto, na banca e serviços financeiros, áreas como compliance, auditoria interna e análise de crédito estão na linha da frente impulsionadas pelo “aumento da exigência regulatória, pela necessidade de maior controlo e governance e pela escassez de perfis altamente especializados”. Um compliance officer pode auferir entre 23 mil e 35 mil euros anuais, enquanto cargos de internal auditor, associados a maiores níveis de responsabilidade e complexidade técnica, podem variar entre 28 mil e 55 mil euros. Já os credit analyst, essenciais na avaliação de risco e no suporte à decisão financeira, que operam num sector cada vez mais regulado e sofisticado, situam-se entre 25 mil e 40 mil euros euros anuais.
Se Lisboa domina nos salários da tecnologia, banca, finanças, o Porto afirma a sua relevância no contexto das operações internacionais e dos shared service centres, acompanhando “a evolução do mercado e a crescente presença de estruturas com atuação multigeográfica”.
O Guia revela que, em 2026, os perfis mais valorizados são polivalentes, capazes de operar entre tecnologia, pessoas e resultados, uma tendência transversal a áreas como IT, finance, indústria, shared services, supply chain ou sales & marketing.
Nos setores do retalho, hospitality, construção e algumas áreas de recursos humanos, apesar da valorização generalizada de perfis estratégicos a competitividade salarial é ainda um desafio, sobretudo nas funções de entrada e operacionais.
Funções de gestão intermédia como store manager, por exemplo, apresentam salários anuais entre 20 mil e os 30 mil euros, enquanto cargos como national retail manager podem situar-se entre 35 mil e os 70 mil.
Em hospitality, a dificuldade de atração e fidelização de talento mantém-se evidente. Funções como front office manager registam faixas salariais entre 23 mil e 35 mil euros anuais, enquanto cargos de maior responsabilidade, como diretor de F&B, podem atingir valores próximos dos 75 mil euros, o que, salienta o estudo evidencia “uma forte assimetria interna e uma pressão acrescida nas posições operacionais e intermédias”.
A construção é outro setor, onde apesar do dinamismo, os salários de entrada continuam relativamente contidos. O salário de uma função técnica como orçamentista situa-se entre os 35 mil e os 65 mil, próximo do valor pago a um diretor de obra, que pode atingir os 70 mil.
Na área de recursos humanos, funções técnicas como payroll specialist pagam entre 20 mil e 35 mil euros anuais, enquanto cargos de direção, como HR director, podem ultrapassar os 100 mil euros. O enorme gap reforça o desafio de tornar as carreiras intermédias mais atrativas e sustentáveis.
De acordo com o Guia Salarial 2026, o mercado de trabalho em Portugal entrou numa nova fase. “Em 2026, o valor do talento deixou de ser determinado apenas pela função ou pelo setor e passou a depender, cada vez mais, da capacidade dos profissionais em combinar competências técnicas, humanas, pensamento estratégico, literacia digital e adaptabilidade”, pode ler-se no relatório.