Segundo a mais recente análise de mercado de crédito habitação do ComparaJá revela um panorama geográfico em evolução no primeiro trimestre de 2026, com implicações claras para quem compra casa.

Lisboa continua a concentrar a maior parte dos pedidos de crédito à habitação, mas o seu peso na distribuição nacional recuou de forma significativa em fevereiro de 2026. Enquanto em janeiro a capital representava 53,8% das simulações de crédito, em fevereiro esse valor caiu para 38,1%, confirmando uma tendência de menor concentração urbana.

Gráfico da distribuição geográfica do crédito à habitação

Fonte: ComparaJá

Este movimento sugere que famílias e compradores estão a explorar alternativas fora dos grandes centros urbanos, um reflexo da contínua pressão dos preços da habitação e das rendas em cidades como Lisboa, onde muitos compradores enfrentam elevados custos de habitação em relação aos rendimentos. Estudos recentes mostram que, nas cidades portuguesas mais populosas, a percentagem do rendimento destinada à habitação continua a ser das mais elevadas do país, com Lisboa a situar‑se entre as áreas com maiores taxas de esforço familiar.

Enquanto Lisboa perde quota no crédito à habitação, outras cidades e regiões estão a ganhar terreno. No mesmo mês, Setúbal viu a sua representatividade aumentar para 15,3%, enquanto Faro cresceu de forma expressiva para 6,8% da procura, e o Porto registou uma redução na sua quota para 11,9%.

Este padrão de descentralização já tinha sido observado noutros relatórios sectoriais: há meses que regiões como Setúbal, Leiria e Santarém duplicaram a sua representatividade na procura por crédito, ultrapassando até o Porto em alguns meses e sinalizando que muitos portugueses procuram alternativas mais acessíveis fora dos grandes centros.

Os especialistas apontam para dois fatores principais por trás desta mudança geográfica: a pressão sobre os preços da habitação nas metrópoles e a maior procura por zonas com melhor relação preço‑qualidade de vida, muitas vezes ligadas por boas acessibilidades de transporte ou que oferecem equilíbrio entre custo e espaço habitacional.

A tendência pode ter impacto direto na dinâmica das cidades portuguesas, abrindo espaço para um mercado imobiliário mais distribuído geograficamente e desafiando a tradicional hegemonia de Lisboa e Porto no crédito à habitação.

À medida que os compradores procuram alternativas, influenciados pelos custos elevados nas grandes cidades e pela necessidade de prestações compatíveis com o orçamento familiar, a geografia do crédito à habitação reflete decisões que vão além de simples preferências: está ligada à acessibilidade e sustentabilidade dos lares em Portugal.