Foi publicado muito recentemente (25 fevereiro) o Estatuto da Pessoa Idosa, um marco importante no nosso país, que vive um envelhecimento demográfico acelerado.
A proporção de cidadãos com mais de 65 anos continua a crescer, pressionando o atual modelo de proteção social, que precisa de respostas urgentes e eficazes, mas também inovadoras.
Viver mais tempo deveria ser sinónimo de conquista, tranquilidade e dignidade. No entanto, para muitos idosos em Portugal, com reformas baixas e custos de habitação elevados, a longevidade está a transformar-se num desafio diário de sobrevivência financeira, correndo o risco de se converter num elevado risco de vulnerabilidade social e económica.
Mas será o Estatuto da Pessoa Idosa, indubitavelmente um passo importantíssimo suficiente para se enfrentar os desafios do presente e garantir que viver mais não significa viver pior?
Reformas baixas: quando trabalhar uma vida inteira não chega
Os números são claros e preocupantes:
- Metade dos pensionistas recebe menos de 462 € por mês, embora a média global ronde 645 € (Banco de Portugal, dados de 2024);
- Cerca de 804 000 reformados (40 % do total) vivem apenas com a pensão mínima;
- As mulheres continuam a receber, em média, pensões significativamente inferiores às dos homens, refletindo desigualdades acumuladas ao longo da vida ativa.
Estes valores contrapõem-se de forma intensa aos custos da vida diária, muitas vezes passando por um dilema cruel entre aquecer a casa ou comprar medicamentos, por exemplo, refletindo uma discrepância preocupante entre as necessidades reais dos idosos e o seu rendimento disponível.
Habitação: O custo que esmaga o orçamento
A habitação é hoje um dos maiores fatores de risco económico para os idosos.
Nas grandes cidades, a taxa de esforço para aquisição de casa ultrapassa os 50 % do rendimento disponível.
No mercado de arrendamento, rendas entre 1 300 € e 1 800 € por um T1 em Lisboa, por exemplo, tornam-se completamente incomportáveis face a pensões médias inferiores a 600 €.
Nos últimos 10 anos, os preços das casas aumentaram quase quatro vezes mais do que os salários.
Mesmo quem vive em casa própria não está imune: IMI, condomínio, obras de manutenção, eficiência energética e contas de serviços representam encargos pesados para rendimentos limitados.
Para muitos idosos, a casa, que deveria ser sinónimo de segurança, torna-se fonte de ansiedade financeira.
O Estatuto da Pessoa Idosa: Um marco necessário, mas insuficiente
O novo Estatuto da Pessoa Idosa introduz garantias relevantes, nomeadamente:
- Reforço do acesso a cuidados de saúde;
- Proteção contra a discriminação;
- Reconhecimento formal de direitos sociais.
Contudo, a proteção financeira continua pouco densificada. O diploma:
- Não define mecanismos específicos que promovam o complemento do rendimento e elevem as reformas às necessidades mínimas de subsistência;
- Não estabelece um programa estrutural de habitação acessível, especificamente orientado para idosos de baixos rendimentos;
- Não reforça suficientemente a proteção contra práticas financeiras agressivas, crédito inadequado ou pressões imobiliárias.
Sem instrumentos económicos concretos, o Estatuto corre o risco de ser mais simbólico do que transformador.
Garantir que se vive melhor é uma responsabilidade coletiva.
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