A Lufthansa confirmou hoje que mantém-se na corrida a 45% da TAP. A companhia aérea alemã junta-se assim à Air France-KLM que já tinha entregue a proposta não-vinculativa esta manhã.
Segue-se agora um período de 90 dias para as empresas realizarem a ‘due dilligence’ e entregarem as propostas vinculativas até 1 de julho. Os alemães não fizeram mais comentários.
A Air France-KLM foi a primeira empresa a anunciar que tinha entregue a sua proposta não-vinculativa.
No seu comunicado, a companhia franco-neerlandesa destacou que tem uma “vasta experiência a trabalhar com acionistas estatais. Acreditamos que esta experiência de parceria é um testemunho da importância estratégica da aviação para uma nação”.
E sublinha que Lisboa será o “hub único do Grupo no Sul da Europa, oferecendo uma vasta conectividade, nomeadamente para as Américas – incluindo o Brasil, um mercado fundamental tanto para a TAP como para a Air France-KLM – e para África”, ao contrário da IAG que conta com o aeroporto de Barajas em Madrid como hub da Iberia.
Ao contrário das outras duas companhias interessadas, a AFK continua sem fazer menção à obtenção da maioria do capital da TAP, algo que, precisamente, não está previsto nas regras.
Lufthansa quer maioria da TAP
A companhia aérea alemã já avisou que quer a maioria da companhia aérea. A mensagem é clara: o crescimento só será potencializado ao máximo se os alemães tiverem o máximo poder de decisão.
“Temos forte interesse. Vemos o potencial. Fazemos intenção de entregar a proposta não-vinculativa”, disse esta semana Tamur Goudarzi-Pour, administrador executivo e vice-presidente para a Estratégia da Lufthansa.
“Somos a segunda maior companhia europeia por passageiros e a quarta maior a nível mundial por receitas”, destacou.
Sobre a questão de ter maioria ou não na TAP, o que não está previsto nas regras atuais, defende que prefere um maior controlo. “Preferimos um caminho para a maioria, mas não vamos sair fora neste ponto. Continuamos no processo. É sempre a nossa preferência ficar com a maioria”.
Sobre o modelo de gestão, defende que a a Lufthansa precisa de ter uma “palavra substancial na gestão. Queremos garantir que a TAP tenha sucesso no futuro. Para isso é preciso certas capacidades de gestão. Isto é importante para nós”.
A TAP só sobrevive se for integrada num grupo maior, defendeu num encontro com jornalistas portugueses em Frankfurt, Alemanha.
Questionado se o preço vai ser afetado pela atual guerra no Médio Oriente, destacou que a oferta vai refletir uma “visão de longo prazo” tendo que ser “sustentável”, tendo em vista uma “colaboração estratégica”.
No entanto, se houver “mudanças estratégicas”, a Lufthansa vai ter que “internalizar” os custos. Todavia: “isso não significa que vamos cortar para a crise do Irão”, apesar de reconhecer que já há efeitos a ter lugar na indústria da aviação.
“Não sabemos o seu tamanho, mas já há uma crise”, admitindo que já seja “estrutural”. “Vamos ver como a indústria se vai desenvolver”.
Mas toda esta questão será alvo de maior análise durante a ‘due dilligence’ que será feita entre abril e julho, antes de ser apresentada a proposta vinculativa.
“Não me focaria apenas só no preço, mas sim na perspetiva futura da companhia aérea”, defendeu. “Algumas das coisas que estão a acontecer, não se vão embora em poucas semanas. Não conseguimos prever. Não esperamos que passe no espaço de poucas semanas”, acrescentou.
O gestor alemão apontou que é uma vantagem para a TAP o facto de os hubs da Lufthansa serem mais afastados de Lisboa face ao Iberia em Madrid ou da Air France em Paris.
“Podemos ligar todos os hubs via Lisboa para a América do Sul. Podemos ligar a América do Norte via Lisboa para a África lusófona”, apontou.
“A distância geográfica” da Lufthansa para a TAP “oferece muitos benefícios”, considerou.
Lufthansa avisa que “é muito importante” expansão do atual aeroporto de Lisboa nos próximos dois anos
A Lufthansa exige um cumprimento rigoroso do calendário das obras de expansão do atual aeroporto de Lisboa.
Esta expansão é “muito importante” e deverá estar concluída nos próximos “dois anos”, sem atrasos, defende a companhia aérea alemã que é uma das interessadas na privatização da TAP.
“É muito importante” que a extensão “seja mesmo executada” para permitir, por exemplo, aumentar o número de partidas por hora, disse Tamur Goudarzi-Pour, vice-presidente para a Estratégia da Lufthansa, a segunda maior companhia europeia por passageiros e a quarta maior a nível mundial por receitas.
“É muito importante para que o crescimento aconteça”, defendeu num encontro com jornalistas portugueses em Frankfurt, Alemanha.
O aeroporto de Lisboa recebeu mais de 35 milhões de passageiros em 2025, estando, neste momento, no que muitos consideram ser o seu limite, com a capacidade atual.
“É importante gerir o sucesso deste hub, para que não se torne uma vítima do seu sucesso”, afirmou o gestor, referindo-se ao disparo no número de passageiros nos últimos anos que colocaram uma grande pressão sobre o Humberto Delgado.
Questionado se a Lufthansa tem abordado o tema com a ANA, o responsável destacou que o tema faz parte da discussão entre os franceses da Vinci e o Governo.
O executivo alemão também abordou a construção do aeroporto Luís de Camões em Alcochete: “É crucial ter o novo aeroporto”.
“É importante que seja cumprido o plano. É importante que o caminho continue”, defendeu no encontro com jornalistas.
A modernização e ampliação dos terminais de embarque do aeroporto Humberto Delgado implicam obras no terminal 1 para criar uma nova área de embarque, o Pier Sul, 12 novas portas de embarque (com 10 pontes telescópicas, para entrar diretamente no avião a partir do terminal, sem ter de recorrer a autocarros); mais 33 mil m2 de terminal.
Já o terminal 2 foi remodelado e foram instaladas quatro novas novas portas de embarque, obras já concluídas.