Nos 10 concelhos onde a AD teve os seus melhores resultados nas legislativas de maio, Marques Mendes foi o mais votado em dois, Seguro o candidato com mais votos em três e os outros cinco foram liderados por André Ventura. O candidato socialista só não superou o resultado do PS em dois concelhos do país e Jorge Pinto só foi melhor que o Livre em Amarante, a sua terra natal.
Uma análise detalhada dos resultados das eleições presidenciais de 2026, em comparação com as legislativas de maio de 2025, revela dinâmicas eleitorais complexas e transferências de voto significativas. O desempenho de Marques Mendes, que obteve cerca de um terço dos votos que a coligação Aliança Democrática (AD) conquistou nas legislativas, sugere uma dificuldade em mobilizar o eleitorado de centro-direita de forma coesa. Por outro lado, o resultado de Cotrim Figueiredo, que superou a votação nacional do partido Iniciativa Liberal (IL), indica uma capacidade de atração para além da base partidária tradicional.
Os dados mostram uma fragmentação do voto, com André Ventura a capitalizar fortemente em concelhos onde a AD foi forte, e Carlos Seguro a demonstrar uma sólida capacidade de mobilização do eleitorado socialista, quase sempre superando os resultados do PS. A exceção de Jorge Pinto, cujo desempenho se limitou praticamente ao seu concelho de origem, contrasta com a projeção nacional dos outros candidatos. Esta análise sublinha como as eleições presidenciais, sendo um ato de voto pessoal, podem produzir mapas eleitorais substancialmente diferentes dos das eleições legislativas, refletindo lealdades pessoais, rejeições partidárias e questões de momento político.