O Município de Leiria anunciou hoje que os prejuízos causados pelo mau tempo rondam os 1.000 milhões de euros e revelou que os custos com os equipamentos municipais e do Estado, e com as vias rodoviárias, ascendem os 243 ME.

O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, apresentou os valores estimados com o custo da reposição de infraestruturas públicas e coletivas, que incidem “sobre equipamentos e infraestruturas da responsabilidade do município”, mas também “daquilo que são os equipamentos das coletividades, IPSS [instituições particulares de solidariedade social] e também património religioso e infraestruturas do Estado localizadas no território”.

“O impacto é de 243.037.176,18 euros e vem confirmar que Leiria ficou no epicentro desta tragédia. Este valor não inclui propriedade privada, como habitações, empresas ou floresta. O impacto real no território é significativamente superior”, afirmou.

A este valor, acrescem os 792,8 ME divulgados pela autarquia em 18 de fevereiro: “Juntando este levantamento, que não tem a floresta, e o outro que já tínhamos anunciado, (…) podemos estar a falar de um prejuízo na ordem dos mil milhões de euros”, revelou.

Numa sessão que decorreu no Castelo de Leiria, um monumento “simbólico”, Gonçalo Lopes adiantou que a rede viária teve um impacto de 85.587.059,64 euros, a que se somam os 75.219.361,34 euros de prejuízos em edifícios e construções municipais.

O presidente refere ainda 7,9 ME de estragos em taludes e muros de suporte e contenção, “que se agravaram no período a seguir à Kristin, com o comboio de tempestades”.

Os custos com equipamentos municipais complementares e de lazer rondam os 8ME e com equipamentos e infraestruturas relacionadas com o saneamento básico 5,4 ME. Foram ainda pagos 4 ME com despesas correntes no período de calamidade.

Gonçalo Lopes apontou o Castelo de Leiria como uma das “principais infraestruturas afetadas (10,2 ME), acrescentando que o mau tempo teve um “forte impacto na rede escolar, em especial nas Escolas Básicas (EB) 2,3 Marrazes (8 ME), Henrique Sommer, na Maceira (7 ME), das Colmeias (5,2 ME), da Caranguejeira (5 ME) e de Santa Catarina da Serra (3 ME).

Os prejuízos no Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa rondam os 4,5 ME, a plantação de árvores em via pública, 3,3 ME e a manutenção e conservação de espaços verdes 3.1 ME.

A reparação das diversas ruas na União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes anda na ordem dos 2,7 ME e, dos investimentos já efetuados, Gonçalo Lopes referiu os 13,3 ME no período de calamidade, onde 9,2 ME correspondem a “tarefas de limpeza e desobstrução de vias, intervenção de emergência em escolas e centros de saúde e reparação de telhados”.

Nas despesas correntes no valor de 4,1 ME incluem-se a recolha e encaminhamento de resíduos, locação de geradores e combustíveis.

“Há uma preocupação muito importante com o parque escolar. É uma das nossas prioridades. As obras têm de começar rápido. Algumas destas escolas já estavam classificadas como prioridade e agora passaram a ser muito, muito prioritárias. Tem de ser um investimento que transforme o parque escolar em escolas que aguentam tempestades”, adiantou o autarca.

Além disso, “todas as intervenções nas vias municipais, aquelas que estão a afetar a circulação diária, vão ser intervencionadas também com prioridade”.

Gonçalo Lopes reconheceu que há muitas intervenções que “vão demorar anos, como é o caso da replantação da cidade de Leiria”, mas disse esperar poder apresentar um Jardim Luís de Camões com árvores no Dia de Portugal, em 10 de junho.

“Estamos a entrar na etapa da reconstrução e da transformação. O que aconteceu em Leiria deve servir de exemplo” para “construir um território resiliente, capaz de aguentar tempestades e outro tipo de catástrofes”.