As condições meteorológicas extremas que assolaram o país durante o período do Carnaval ditaram o cancelamento de vários desfiles, afastando os foliões das ruas e refletindo-se negativamente na economia local.
Segundo os dados mais recentes do REDUNIQ Insights, o relatório da UNICRE que monitoriza os pagamentos por cartão em Portugal, a faturação nos dez concelhos com maior tradição carnavalesca sofreu uma queda de 8,1% entre 14 e 17 de fevereiro de 2026, face ao ano anterior.
O impacto da chuva e do vento não se sentiu apenas na afluência, mas também no comportamento de quem saiu à rua. O gasto médio por cartão recuou para os 57,47 euros (-6,9%), enquanto o valor de cada compra (ticket médio) fixou-se nos 33,80€, uma descida de 8,5% que evidencia um consumo mais contido.
A análise regional revela disparidades acentuadas:
- Estarreja liderou as perdas com uma quebra de 17,1% na faturação.
- Sesimbra (-10,6%) e Torres Vedras (-9%) também sentiram o peso do cancelamento de eventos.
- Pela positiva, Macedo de Cavaleiros foi a única exceção, mantendo a faturação praticamente estável (+0,1%).
- Em termos de peso no volume global, a Madeira continuou a ser o motor económico das festividades, representando 44,3% da faturação total do grupo analisado, apesar de uma descida de 7,2% no consumo.
Curiosamente, apesar da queda na faturação global, Torres Vedras registou uma subida no gasto médio por cartão (+12,9%), atingindo os 47,21€. Isto sugere que, embora tenha havido menos pessoas ou transações, quem consumiu fê-lo com valores individuais mais elevados.
O mercado interno continua a ser o grande suporte destas festividades. Em concelhos como Estarreja, Mealhada e Torres Vedras, mais de 95% do consumo teve origem em cartões nacionais, reforçando a importância do turismo doméstico para o sucesso do Carnaval em Portugal.