A chefe da diplomacia da União Europeia (UE) afirmou hoje que o bloco está a ponderar criar uma operação no Líbano, tendo em conta que a missão de manutenção da paz da ONU termina em dezembro.

“Estamos a discutir uma operação. Como sabem, o mandato da [missão da ONU no Líbano] FINUL vai acabar e a questão é saber se vai ficar um vazio. Não quer dizer que nós vamos substituir a FINUL, mas estamos a ver se os Estados-membros querem que desenvolvamos a nossa própria operação para ajudar o Líbano nesse aspeto”, indicou Kaja Kallas.

A chefe da diplomacia da UE falava numa audição na Comissão dos Negócios Estrangeiros do Parlamento Europeu, em Bruxelas, e respondia a uma intervenção do eurodeputado alemão Michael Gahler, do Partido Popular Europeu (PPE), que perguntou o que a UE pode fazer no Líbano, além de mobilizar ajuda humanitária.

“Estamos em posição de influenciar os eventos de alguma maneira de forma a evitar que, por exemplo, não haja um maior avanço de tropas no país e um aumento adicional do número de refugiados?”, questionou.

Sem especificar a natureza ou o âmbito dessa operação europeia a que se referiu, Kallas indicou que, no contexto atual, a UE, além de estar a mobilizar ajuda humanitária para o Líbano, está também a “apoiar as Forças Armadas libanesas a desarmar” o movimento xiita Hezbollah.

Nesta audição, a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança disse estar em contacto com os parceiros do Golfo, a Jordânia e o Egito para encontrar propostas para submeter aos Estados Unidos, Israel e o Irão para acabar com a guerra atual.

“Estamos todos alinhados quanto à necessidade de pôr fim a esta guerra, porque tem custos demasiado elevados para todo o mundo”, referiu, reiterando, à semelhança do que já tinha feito na segunda-feira, que a guerra no Irão “não é a guerra da Europa”.

“Não começámos a guerra, não fomos consultados e não sabemos quais são os seus objetivos, por isso os Estados-membros não têm vontade de serem arrastados”, disse.

Kaja Kallas considerou ainda que tanto a guerra na Ucrânia como no Médio Oriente são “produtos da erosão do Direito internacional” e avisou que “sem responsabilização, judicial ou política, a guerra voltará a alastrar-se pelo mundo”.

Depois de, na semana passada, a presidente da Comissão Europeia ter dito que a UE já não pode ser a “guardiã da velha ordem mundial” e não pode confiar apenas no Direito internacional para defender os seus interesses, Kaja Kallas deixou hoje uma crítica velada a essas declarações.

“Perante políticas brutais de poder, a Europa não precisa de distinguir entre valores e interesses. Acredito genuína e profundamente que os nossos valores são os nossos interesses. É por isso que a defesa dos nossos valores deve sempre orientar o nosso trabalho com os parceiros”, disse.

Questionada depois diretamente pelos eurodeputados sobre essas declarações de Von der Leyen, Kallas disse que só é responsável pelas suas próprias declarações e que “todas as questões relacionadas com os discursos de outras pessoas devem ser endereçadas a essas pessoas”.

“Estou a trabalhar com os 27 Estados-membros, a tentar desenvolver uma posição comum, e afirmámos que o Direito internacional é importante”, afirmou.