Os mercados voltaram aos ganhos, com o conflito dos Estados Unidos e do Irão a durar há mais de duas semanas e o Estreito de Ormuz a estar restrito há 14 dias.
Depois das quedas registadas na semana passada, “os futuros dos principais índices norte-americanos” voltaram ao “terreno positivo” na segunda-feira.
Enquanto os índices voltaram aos ganhos, o petróleo começou a registar descidas, juntamente com o ouro. “Os preços do ouro recuaram ligeiramente no início da sessão de segunda-feira, descendo para pouco abaixo do nível dos cinco mil dólares. O metal precioso tem estado sob pressão desde pouco depois do início da guerra no Irão. Inicialmente registou-se um aumento moderado da procura por ativos de refúgio, que levou os preços do ouro a um máximo de várias semanas, mas esses ganhos revelaram-se de curta duração”, afirma Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.
“O principal foco dos mercados financeiros neste momento é a iminente crise energética provocada pela disrupção crescente no Estreito de Ormuz, que retirou cerca de 20% da oferta mundial de petróleo e gás do mercado, impulsionando os preços e reavivando o espectro da inflação. Neste contexto, os mercados reduziram as suas expectativas quanto a cortes das taxas de juro por parte da Reserva Federal em 2026. Esta mudança reflete-se também, a nível global, numa perspetiva mais “hawkish” por parte de outros bancos centrais, diminuindo a atratividade de ativos que não geram rendimento, como o ouro”, refere.
Segundo o analista, quanto mais tempo durar a guerra com o Estreito de Ormuz fechado “maior será o peso dos receios inflacionistas no sentimento dos investidores. Apesar do papel tradicional do ouro como ativo de refúgio e da sua maior atratividade em períodos de conflito, os investidores poderão concentrar-se cada vez mais nos riscos de inflação, numa dinâmica que reduz a probabilidade de cortes das taxas de juro por parte dos bancos centrais e exerce pressão sobre os preços do ouro, devido à natureza não remunerada do metal”.