A turbulência no Golfo Pérsico começa a atingir mercados menos visíveis, mas estratégicos para a economia global: os metais e os gases industriais.

De acordo com um relatório recente da consultora Oliver Wyman, os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) são fornecedores-chave de várias matérias-primas industriais utilizadas em setores como a indústria automóvel, a construção, a eletrónica e a saúde.

Um dos exemplos mais claros é o alumínio primário, um metal essencial para a indústria automóvel, transportes, construção e embalagens. O preço internacional subiu cerca de 9%, passando de 3.147 dólares por tonelada a 27 de fevereiro para 3.440 dólares a 11 de março.

Os seis países do GCC representam cerca de 8% da produção mundial de alumínio, mas a sua relevância é particularmente significativa para a Europa, que depende da região para cerca de 20% das suas importações.

Outro material industrial afetado é o enxofre, utilizado principalmente na produção de ácido sulfúrico — um composto indispensável na produção de fertilizantes e no processamento de metais. Os preços subiram cerca de 23%, atingindo 4.750 yuan por tonelada.

Os Emirados Árabes Unidos são atualmente o maior exportador mundial deste produto, com uma quota próxima de 23% do comércio global.

Entre os materiais mais críticos encontra-se ainda o hélio, um gás raro com aplicações altamente especializadas. É utilizado em equipamentos médicos como ressonâncias magnéticas, na produção de semicondutores, na fibra ótica, em soldadura industrial e em aplicações científicas criogénicas.

O Qatar responde por cerca de 30% da oferta mundial. Após um ataque que levou ao encerramento do complexo de produção de Ras Laffan Industrial City, os preços dispararam cerca de 35%.

De acordo com a Oliver Wyman, o episódio evidencia uma vulnerabilidade crescente nas cadeias industriais globais: a dependência de um número limitado de polos de produção para matérias-primas críticas. Se as tensões regionais persistirem, os efeitos poderão estender-se a setores tão diversos como a eletrónica, a saúde, a indústria automóvel e a construção.