O investidor norte-americano Michael Burry, conhecido por prever a queda do mercado imobiliário em 2008, emitiu um alerta severo sobre o futuro da bitcoin. Num post no seu Substack, Burry argumenta que se a criptomoeda continuar a perder valor, como tem feito desde o pico de 124.310 dólares em outubro de 2025, pode entrar numa “espiral da morte”. Esta queda acentuada poderia afetar gravemente empresas acumuladoras de bitcoin, como a MicroStrategy de Michael Saylor, e levar mineradores à bancarrota.
O alerta surge numa fase em que a bitcoin quebrou a barreira dos 70 mil dólares, atingindo o seu valor mais baixo desde novembro de 2024. O crash no setor cripto, que também afetou outras moedas digitais, terá “limpado” cerca de dois triliões de dólares do mercado, mais de 50% face ao pico de 4,3 triliões. Desde outubro, a bitcoin já desvalorizou 45%.
Impacto no Mercado e Suspensão da BlockFills
A descida do preço levou a BlockFills, uma fornecedora de liquidez e empréstimo de criptomoedas, a suspender temporariamente levantamentos e depósitos. A empresa justificou a medida com a necessidade de reforçar a proteção dos clientes face às “recentes condições de mercado e financeiras”.
Burry considera que a bitcoin foi exposta como um “ativo puramente especulativo”, falhando na sua consolidação como ativo de refúgio semelhante ao ouro. O investidor alerta que uma continuação da queda colocaria “sobrecarga” nos balanços das principais detentoras, forçando vendas no mercado e desencadeando uma “destruição generalizada” de valor.
Previsões de Analistas e Riscos Sistémicos
Vários analistas ecoam o pessimismo. O analista da XTB, João Cruz, alerta que, repetindo o cenário de 2022, a bitcoin poderá enfrentar mais quedas, possivelmente em direção aos 50 mil dólares. Já o analista da Standard Chartered, Geoff Kendrick, baixou o seu preço alvo para o final do ano de 150 mil para 100 mil dólares, admitindo que o preço pode descer abaixo dos 50 mil dólares antes de recuperar.
Burry aponta para cenários alarmantes: se a bitcoin cair para os 50 mil dólares, os mineradores poderiam ir à falência e os contratos futuros de metais tokenizados “entrariam em colapso, desaparecendo sem compradores”. O investidor argumenta ainda que os ETFs de bitcoin “inflamaram” a natureza especulativa do ativo e aumentaram a sua correlação com os mercados bolsistas, criando um risco de contágio para os mercados em geral caso a queda se acentue.
Liquidações e Sentimento do Mercado
As liquidações de bitcoin atingiram os 2,5 mil milhões de dólares entre 31 de janeiro e 3 de fevereiro, segundo dados da CoinGlass. Paralelamente, os produtos de investimento em ativos digitais registaram a segunda semana consecutiva de saídas de capital, totalizando 1,7 mil milhões de dólares, sinalizando uma “deterioração acentuada do sentimento dos investidores”, nas palavras de James Butterfill da CoinShares.
Analistas apontam que a queda coincidiu com uma aversão ao risco mais ampla nos mercados globais, impulsionada por riscos geopolíticos, quedas nas ações tecnológicas e um colapso nos preços dos metais preciosos.