Joseph Blatter, ex-presidente da FIFA, aconselhou os adeptos que planeiam assistir aos jogos do Campeonato do Mundo de Futebol no país anfitrião do torneio a não viajarem para os Estados Unidos, onde vai decorrer parte da competição.
O comentário foi feito na rede social X (antigo Twitter), numa publicação na qual o antigo dirigente suíço apoia as declarações do advogado suíço anticorrupção Mark Pieth no mesmo sentido, com os assassinatos de dois cidadãos americanos por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) a justificarem a posição de Pieth e de Blatter.
Pieth, que trabalhou mais de dois anos na FIFA durante o processo de reforma da organização sediada em Zurique, pronunciou-se publicamente sobre o assassinato de Renee Good por um agente ICE em Minneapolis, no início de janeiro, seguido do de Alex Jeffrey Pretti uns dias mais tarde, apresentando-o como uma das razões para dissuadir os apoiantes do Mundial de viajarem para os Estados Unidos.
“O que estamos a ver internamente – a marginalização de oponentes políticos, abusos por parte dos serviços de imigração, etc. – dificilmente incentiva os adeptos a irem para lá. Para os adeptos, apenas um conselho: evitem os Estados Unidos! […] Ao chegarem, os adeptos devem esperar que, se não se comportarem adequadamente com as autoridades, serão imediatamente enviados de volta para casa. Se tiverem sorte…”, afirmou Pieth numa entrevista recente ao jornal suíço Tages-Anzeiger.
O Campeonato Mundial de Futebol da FIFA vai decorrer no EUA, Canadá e México entre 11 de junho e 19 de julho. A federação prevê a presença de 5,5 milhões e 6,5 milhões de adeptos. Contudo, a FIFA está alerta para um alegado boicote à competição, tendo desistido da compra de bilhetes cerca de 16.800 adeptos.