Está à venda a anteriormente designada Galp Gás Natural Distribuição e batizada Floene após a aquisição pela Allianz Capital Partners em 2020.
A Meet Europe Natural Gas (consórcio que integra a Marubeni Corporation e a Toho Gas), acionista minoritária com 22,5%, mandatou a KPMG para encontrar compradores para a sua participação e, segundo apurou o Jornal Económico, a espanhola Naturgy está na corrida.
Os investidores japoneses estão a trabalhar com a assessoria da KPMG para vender a sua participação, pela qual pagaram 138 milhões de euros em 2016.
A Mergermarket, que avançou com a notícia, diz que os vendedores esperam propostas não vinculativas até meados de fevereiro e que estão também fundos de infraestruturas na corrida.
Segundo uma fonte com conhecimento do negócio, esta participação, apesar de minoritária, é robusta, porque permite a nomeação de representantes para o conselho de administração da Floene e dá direitos especiais de voto sobre algumas matérias.
A compra de 22,5% da Floene assume particular interesse porque é a entrada no capital de uma empresa cuja participação maioritária poderá ser vendida no fim deste ano ou início do próximo. Pois, segundo as nossas fontes é esperado que a Allianz Capital Partners, que comprou a participação de 75% na Floene por 368 milhões de euros em 2020, esteja a considerar também a venda.
A procura de gás em Portugal caiu 16,7% em 2024, a maior queda em toda a União Europeia, segundo o Eurostat, lançando as dúvidas sobre o futuro a longo prazo dos ativos de gás.
As nossas fontes dizem que a Allianz espera que a venda da participação minoritária seja fechada para ter uma avaliação de mercado sobre a sua participação.
A decisão de venda poderá depender de as ofertas serem superiores ao que a Allianz pagou pela sua participação — cerca de 1,15x a base de ativos regulados (RAB – Regulatory Asset Base) da utility de gás. Portanto a Naturgy, que é apontada como o candidato preferencial, apesar de o processo ainda estar no início, quer “pôr um pé na porta” da Floene.
A Allianz Capital Partners (ACP) é a acionista maioritária da Floene, detendo cerca de 75% da empresa através de duas subsidiárias luxemburguesas (Allianz Infrastructure Luxembourg II e Allianz European Infrastructure Acquisition Holding). Os restantes 22,5% pertencem à Meet Europe Natural Gas (um consórcio que integra a Marubeni Corporation) e uma pequena percentagem à Petrogal.
A Floene detém uma quota de cerca de 70% do mercado de distribuição de gás em Portugal, abastecendo 1,1 milhões de clientes através da sua rede de 13.900 km. A empresa tem uma dívida líquida de 609 milhões de euros. No ano passado, a Floene refinanciou uma de duas tranches da sua dívida, através de um empréstimo de 180 milhões de euros concedido pelos bancos portugueses BCP e Caixa BI e pelo espanhol Sabadell, segundo dados da Mergermarket. A outra tranche é uma obrigação de 420 milhões de euros, com um cupão de 4,875%, com vencimento a 3 de julho de 2028, de acordo com a mesma notícia que lembra ainda que a Floene manteve o seu rating de investimento BBB- após a última revisão da S&P em maio do ano passado.
A publicação especializada em fusões e aquisições revela também que os prémios pagos por investidores de infraestruturas por ativos de gás encolheram nos últimos anos, à medida que a eletrificação substitui o uso de gás natural. O que pode explicar que quer os japoneses, que o fundo da Allianz queira vender a Floene.
A Marubeni tem estado a vender ativos do gás. Vendeu a sua participação de 40% no negócio australiano de distribuição de gás Allgas Energy à Stonepeak em dezembro do ano passado.
A empresa japonesa possui outros ativos em Portugal, incluindo a empresa de águas AGS Water Solutions e ativos de produção de energia que detinha anteriormente através de uma joint venture com a francesa Engie.
A saída da Floene ocorre no momento em que a UBS Asset Management também procura vender o seu negócio português de gás de petróleo liquefeito (GPL), a Gascan. O último grande negócio no setor da distribuição de gás em Portugal foi a aquisição da Sonorgas pela iCON Infrastructure, que opera no norte do país, por 100 milhões de euros em 2022.