Representantes ucranianos e russos terminaram uma primeira ronda de negociações em Abu Dhabi sob mediação norte-americana, disseram as duas delegações sem revelar resultados, mas admitindo retomar o diálogo nos próximos dias.
Após três horas de negociações à porta fechada para tentar alcançar um acordo de paz, os delegados ucranianos informaram o meio de comunicação ‘online’ norte-americano Axios que a reunião foi “construtiva e positiva” e admitiram a existência de resultados.
De igual forma, uma fonte comentou à agência russa TASS que não se podia dizer que não existissem resultados, uma vez que “eles existem”, embora não os tenha precisado, segundo a agência espanhola EFE. Referiu ainda que “existem possibilidades” de a segunda ronda se realizar nos próximos dias.
Segundo informou previamente uma fonte à agência TASS, russos e ucranianos estudaram vários documentos sobre “território, garantias [de segurança] e outros aspetos” do acordo de paz.
Ambos os lados e os mediadores reconheceram na sexta-feira, no primeiro dia da reunião, que a retirada das tropas ucranianas do Donbass (constituído por Donetsk e Lugansk) é o principal obstáculo nas negociações trilaterais.
“Este assunto continua a ser o mais complexo. Para a Rússia, é importante a retirada do exército ucraniano do Donbass. Para isso, estão a ser equacionados diferentes parâmetros de segurança”, assinalou hoje uma fonte oficial à TASS.
A Rússia opõe-se categoricamente ao destacamento de tropas ocidentais em território do país vizinho, que invadiu em fevereiro de 2022, dando início à guerra em curso desde então.
A Ucrânia exige garantias que obriguem os Estados Unidos e os aliados europeus a defender o país em caso de nova agressão russa em linha com o artigo 5.º da NATO, que prevê a defesa coletiva se um dos membros for atacado.
O Presidente russo, Vladimir Putin, deu o aval à realização das negociações trilaterais em Abu Dhabi após uma reunião na sexta-feira com os emissários dos Estados Unidos, Steve Witkoff e Jared Kushner.
O líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez o mesmo depois de se ter reunido na quinta-feira com o Presidente norte-americano, Donald Trump, no âmbito do Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça.
A delegação da Rússia é liderada pelo almirante Igor Kostiukov, número dois do Estado-Maior e chefe da secreta militar (GRU), incluindo apenas militares.
Já a delegação ucraniana é integrada, entre outros, pelo chefe da secreta militar, Kyrylo Budanov, pelo líder parlamentar David Arakhamia e pelo secretário do Conselho de Segurança Nacional, Rustem Umerov.
Ataque russo à capital ucraniana
Enquanto ucranianos, russos e norte-americanos participam em conversações em Abu Dhabi, a Ucrânia denunciou este sábado ataques russos durante a noite que causaram pelo menos um morto no país.
“Com cinismo, [Vladimir] Putin ordenou um ataque de mísseis brutal e massivo contra a Ucrânia no momento em que as delegações se reúnem em Abu Dhabi para fazer avançar o processo de paz liderado pelos norte-americanos”, disse o chefe da diplomacia ucraniana, Andrii Sybiga.
Os ataques russos durante a noite fizeram pelo menos um morto e 27 feridos em Kiev e Kharkiv, no nordeste, segundo as autoridades ucranianas.
Os alertas de ataques aéreos soaram em todo o país enquanto as delegações ucraniana, norte-americana e russa se encontram, desde sexta-feira, nos Emirados Árabes Unidos para discutir as condições de uma resolução do conflito.
“Esforços de paz? Reunião trilateral nos Emirados Árabes Unidos? Diplomacia? Para os ucranianos, foi mais uma noite de terror russo”, afirmou Sybiga nas redes sociais, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Segundo o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a Rússia atacou a Ucrânia com 370 drones e 21 mísseis, atingindo vários edifícios civis, incluindo uma maternidade em Kharkiv.
O conflito causou dezenas de milhares de mortos desde que a Rússia iniciou uma invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.