O presidente norte-americano, Donald Trump, antecipou que, em nova dupla ronda de negociações entre a representantes da sua administração e dos governos russo e ucraniano, haverá “boas notícias” para a negociação do fim da guerra. Mas o ambiente em Moscovo e em Kiev é bem diverso. “Estamos muito bem com a Ucrânia e a Rússia. Esta é a primeira vez que digo isto. Penso que vamos ter boas notícias”, disse Trump na Casa Branca.
Mas, em Kiev, a capital da Ucrânia onde esta terça-feira o presidente Volodynyr Zelensky recebeu o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, o espírito é bem diferente: a Rússia não cumpriu a trégua que havia sido proposta por Trump e aceite por Vladimir Putim, presidente russo, e, por isso, não há qualquer boa perspetiva para mais uma ronda de negociações.
O próprio Rutte não foi capaz, desta vez, de secundar as palavras do seu ‘patrão’: numa reunião no parlamento da Ucrânia, o secretário-geral da NATO afirmou, segundo a imprensa russa, que “as negociações diretas estão em andamento, e isso representa um progresso importante”, “mas os ataques russos, como os da noite passada, não demonstram seriedade em relação à paz.” “É preciso saber que há uma paz será duradoura não porque foram assinados documentos, mas porque há poder concreto para sustentá-la”, acrescentou.
Alguns aliados europeus anunciaram que enviarão tropas para a Ucrânia após a conclusão de um acordo, e espera-se que os Estados Unidos ofereçam uma garantia, disse Rutte. Essas tropas incluirão “tropas em terra, aviões no ar e navios no Mar Negro”, acrescentou. Ora, como sabem todas as partes envolvidas, a Rússia não assinará nenhum acordo que envolva deslocação de tropas exteriores à Ucrânia para a fronteira de combate, esteja ela onde estiver.
Sobre a trégua de uma semana nas linhas da frente, que não existiu em lado nenhum, o presidente norte-americano atribuiu o mérito a si próprio: “liguei ao presidente Putin e ele concordou. A Ucrânia é um país muito frio. E estão a passar por uma onda de frio terrível. Perguntei-lhe se podia parar de atacar durante uma semana, sem lançar mísseis contra Kiev ou qualquer outra cidade, e ele concordou”, sublinhou.
Embora Zelensky tenha confirmado a suspensão dos ataques russos à rede elétrica até domingo passado, alertou já que Moscovo redirecionou os bombardeamentos para alvos logísticos e para as linhas ferroviárias.
Do lado de Moscovo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou a presença dos representantes russos no encontro. “Podemos confirmar que esta segunda ronda ocorrerá em Abu Dhabi na quarta e quinta-feira”, disse Peskov. “Na verdade, estavam originalmente agendadas para o último domingo, mas as agendas das três partes precisaram de um ajuste adicional”, explicou.