Os investigadores conseguiram mapear as emissões das terras agrícolas com uma resolução aproximada de 10 quilómetros, permitindo localizar culturas e fontes emissoras, com o objetivo de ajudar governos e comunidades a definir estratégias de mitigação mais eficazes.

As terras cultivadas representam cerca de 12% do uso global do solo, mas são responsáveis por 25% das emissões do setor agrícola. Em 2020, as culturas agrícolas emitiram o equivalente a 2,5 gigatoneladas de dióxido de carbono, divulgam em comunicado o estudo.

O estudo analisou 46 tipos de culturas agrícolas, mas quatro destacam-se como principais responsáveis pelas emissões: arroz, milho, óleo de palma e trigo, que juntos representam quase três quartos do total. O arroz lidera isoladamente, com 43% das emissões das terras agrícolas. As fontes variam consoante a cultura, destacando-se a drenagem de turfeiras para produção de óleo de palma e os campos de arroz inundados, ambos responsáveis por cerca de 35% das emissões, além do uso intensivo de fertilizantes sintéticos em áreas de elevada produção, que representa cerca de 23%.

A região do Leste Asiático e Pacífico geram aproximadamente metade das emissões globais das terras agrícolas, seguida pelo Sul da Ásia, Europa e Ásia Central, que juntas representam cerca de 30%. Segundo os autores, os maiores focos concentram-se na Ásia devido à produção intensiva de arroz. Ainda assim, o estudo evidencia que as regiões com maior produção alimentar tendem também a apresentar maiores níveis de emissões, o que exige uma abordagem equilibrada na definição de políticas climáticas.

Os investigadores defendem que as soluções devem ser adaptadas ao tipo de cultura e à origem das emissões. Entre as medidas com maior potencial estão o reumedecimento de turfeiras drenadas, alterações na gestão da inundação dos arrozais e a otimização da utilização de fertilizantes. O estudo sublinha igualmente que culturas como frutas e hortícolas tendem a apresentar uma pegada carbónica significativamente menor.

Uma das principais inovações da investigação é a ligação entre produção alimentar e emissões, permitindo avaliar a eficiência dos sistemas agrícolas. Os autores alertam que políticas de mitigação que ignorem a produtividade podem penalizar regiões essenciais para o abastecimento alimentar global.

Os novos mapas permitem identificar oportunidades de mitigação ao nível subnacional, facilitando decisões locais e uma melhor utilização dos recursos disponíveis. Com dados mais precisos e soluções direcionadas, os investigadores acreditam que será possível reduzir significativamente as emissões agrícolas sem comprometer a produção alimentar mundial.