O ministro do Turismo angolano disse esta sexta-feira que o número de turistas que visitam Angola para lazer cresceu 20%, subindo de 44 mil entradas em 2024 para 52.072 em 2025, contrariando a tendência de visitas ao país para negócio.
Segundo Márcio Daniel, Angola já começou a fazer a curva de inflexão do perfil do turista que visita o país, frisando que este crescimento é fruto do trabalho que está a ser feito em matéria de comunicação, dando a conhecer Angola como um destino turístico.
“Vamos continuar a ter [turistas da classe do] ‘business’, mas temos que ter sobretudo o turismo de lazer. Não queremos só atrair turistas, queremos atrair turistas cujo gasto médio por viagem seja também elevado e isso é possível medir. Temos o programa estatísticas turismo, que vai em breve permitir regularmente informar quanto é que estamos a arrecadar com a presença de um turista no país”, disse.
O titular da pasta do Turismo em Angola disse que está em curso uma estratégia de promoção do país, com a divulgação da marca dos destinos, dos pacotes, na Alemanha, na Áustria e na Suíça, expandindo agora para Espanha, Polónia e Inglaterra.
“A Alemanha, em 2030, as estatísticas dizem que vai ter cerca de 30 milhões de pensionistas, a renda média ao chegar ao topo da carreira na Alemanha está acima de quatro mil dólares. Pessoas com muito tempo e com muito dinheiro para viajar. Se conseguirmos 10% deste universo de turistas, estamos a falar em quintuplicar o número de turistas que hoje recebemos no país”, vincou.
O trabalho de promoção, segundo Márcio Daniel, inclui ‘Press Trips’ – viagens de jornalistas especialistas em turismo para virem ao país experimentarem e escreverem sobre Angola -, bem como ‘Fam Trips’ – convites a operadores turísticos para terem conhecimento daquilo que podem vender.
De acordo com o ministro, “o número de publicações que saem nos jornais de especialidade sobre o turismo de Angola é absurdo, é muito grande, todos os dias saem notícias sobre Angola por causa dessa estratégia”.
O governante angolano admitiu que o setor do Turismo ainda enfrenta desafios, fazendo “um grande reconhecimento a todos os empresários que ao longo destes anos têm investido, mantido, reinvestido”.
“São verdadeiros heróis, isto nós temos de reconhecer. Digo isso porque, por exemplo, até há bem pouco tempo, aqui no Mussulo [ilha], para ter um ‘resort’, um restaurante a funcionar, os empresários que lá se encontravam tinham de fazer um investimento de 12 milhões de kwanzas (mais de 11 mil euros) por semana em combustível, para ter energia”, realçou.
Márcio Daniel disse que foi levada recentemente energia elétrica para o Mussulo, o que, “só isso, já amortece os custos”.
A nível da região, avançou o ministro, o foco está na área transfronteiriça de conservação ambiental, com o Projeto Kaza, no Okavango Zambeze, que integra Angola, Namíbia, Zâmbia, Botsuana e Zimbabué, região que representa anualmente mais de oito milhões de turistas, nesses países menos Angola.
“A parte mais protegida é a parte angolana e é a que permanece menos explorada. Queremos começar por ali, criando infraestruturas do lado de Angola, para que os turistas que visitam a região possam também entrar no nosso território”, indicou, salientando que há também iniciativas para a isenção de vistos para países africanos.
Em 2023, Angola isentou os cidadãos de 98 países, entre os quais 14 africanos, de vistos de turismo.