O Médio Oriente está em transformação. Apesar de polémica, a intervenção no Irão é o culminar de anos de chantagem sobre o Médio Oriente, o Ocidente e a própria população iraniana.
Os países vizinhos, para não serem agredidos, aceitaram pagar, durante muitos anos, para não sofrerem represálias. O Ocidente, mais especificamente a Europa, teve uma palavra fraca na condenação do regime, quer pelos receios de represálias internas com origem na imigração, quer pela dependência energética dos estados do Golfo.
Agora que os EUA são o maior produtor de gás e de petróleo, esta intervenção tornou-se possível com custos limitados para o consumidor americano. A título de exemplo, o preço do gás na Europa subiu mais de 50% em dois dias, enquanto nos EUA o preço do gás até desceu!
Por estar mais perto do conflito, e mais dependente de fontes de energia externa, a Europa volta a ser penalizada em termos de competitividade mundial.
A coberto de uma agenda “verde”, a Europa continua a menosprezar a produção interna de energia e a relegar para as calendas a aposta no nuclear, gás ou petróleo. Este é um custo que os consumidores europeus vão continuar a pagar pela incompetência europeia e pela falta de interligação energética.
No curto prazo, teremos sempre a incerteza a dominar os holofotes e os investidores. Mas o que devemos pensar é isto: o mundo vai ficar melhor? As empresas vão conseguir ajustar-se e apresentar melhores resultados? A revolução tecnológica vai parar?
Em todas as crises recentes, pandemia, invasão da Ucrânia, tarifas, a primeira reação é negativa, seguindo-se uma recuperação da confiança dos investidores.
Esta situação não será diferente, e a intensificação dos ataques ao Irão insere-se numa estratégia de rápida neutralização da capacidade de ataque de Teerão, para que o conflito tenha um impacto limitado ao nível da inflação, taxas de juro e investimento por parte das empresas.
Donald Trump sabe disso e quer uma parte do sucesso futuro.
Este pode ser mesmo o início de um novo capítulo para aquela região do mundo, no caminho da prosperidade e do crescimento, que irá beneficiar todos – população e empresas. E a Europa, claro, não deve alienar-se desse futuro.