O CEO da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, não tem dúvidas que, se a Europa chegou a ter um dilema, já não tem: “A Europa não tem nenhum dilema: ou nos defendemos ou nos defendemos”, disse – no âmbito de mais uma iniciativa ‘Fora da Caixa’, desta vez na cidade do Porto. Perante uma plateia de clientes, Paulo Macedo percorreu a geoestratégia que determina que a incerteza é a maior certeza no cenário do futuro. Ou talvez não: há uma mudança de paradigma que é a nova certeza que espera os cidadãos, mas também aqueles que têm de tomar decisões de investimento e gerir riscos. Ou seja, inferia-se das palavras do CEO da Caixa, estamos num período de adaptação a uma realidade nova, que tem a maçadora evidência de nos ter sido imposta pelos avatares de quem, a partir da Casa Branca, assim o quis.
Neste contexto, a questão das tarifas, disse, faz parte desse novo conjunto de certeza: “os Estados Unidos têm enormes défices comerciais”, uma dívida astronómica, e, portanto, “as tarifas vieram para ficar”, uma vez que os EUA têm de financiar essa ‘decalage’. Recordava assim que “as tarifas não são só uma questão política”. Dito de outra forma: “Donald Trump gere o país como se fosse um CEO – o que me faz perguntar: porque é que estou a falar mal de um CEO se eu próprio sou um CEO?”
Grandes empresas precisam-se
Para Paulo Macedo, uma das chaves do sucesso de Portugal neste mar encapelado que passou a ser ‘o tempo que normalmente faz’, afigura-se como essencial que o país passe a contar com grandes empresas. Não, evidentemente – ou não de repente – grandes conglomerados como a Nvidia ou a Alphabet, “que têm capitalizações bolsistas próximas do PIB de Itália”, mas, em todo o caso, grandes: “mais outo empresas de grandes dimensões em Portugal – e a CGD é uma delas – teriam um forte impacto no PIB” e na economia real. Serviriam também para alinhar com a prioridade europeia, ou uma delas: “a Europa não pode especializar-se na indústria da regulamentação”, sob pena de deixar de ter competitividade económica. Não que Paulo Macedo seja favorável à desregulamentação – cujos apoiantes também estão na Casa Branca – mas o excesso regulatório de que o bloco padece, como se houvesse uma fila de burocratas com carimbos na mão e isso fosse o seu modo de vida mais confortável, não é um destino comum que valha a pena.
É neste contexto que Paulo Macedo elenca as prioridades do país: transformar Portugal num ‘hub’ de talento; aumentar a escala e a produtividade das empresas; e atrair capital estrangeiro. Não será por certo um futuro fácil – até porque há muito país europeus a precisar do mesmo e por isso a manter forte concorrência – mas é o futuro que tem de ser.