O secretário-geral do PCP defendeu hoje que o pacote laboral “foi rejeitado e tem que ser derrotado de uma vez por todas” e considerou que a CGTP “faz bem” em ir ao ministério “reivindicar em nome dos trabalhadores”.

“O pacote laboral foi rejeitado naquela magnífica e extraordinária greve geral do dia 11 de dezembro, foi rejeitado nas empresas e nos locais de trabalho, foi rejeitado nas ruas e foi rejeitado nas ruas outra vez no passado dia 28 de fevereiro com grandes manifestações, quer em Lisboa, quer no Porto. O pacote laboral foi rejeitado e tem que ser derrotado de uma vez por todas”, afirmou.

No seu discurso do almoço comemorativo do 105.º aniversário do PCP, que decorreu em Corroios, concelho do Seixal e distrito de Setúbal, Paulo Raimundo considerou que “faz bem a CGTP em apresentar-se amanhã [segunda-feira] para reivindicar em nome dos trabalhadores”.

Uma delegação da CGTP vai deslocar-se ao Ministério do Trabalho na segunda-feira, na hora prevista da reunião entre Governo, UGT e as quatro confederações empresariais, para “reafirmar as propostas e soluções para a legislação laboral”.

A ministra do Trabalho convocou a UGT e as quatro confederações empresariais para uma reunião com o objetivo de retomar as negociações sobre as alterações à lei laboral, após o apelo feito pelo Presidente da República na sequência da ‘rutura’ anunciada pelos patrões, tendo a CGTP voltado a não ser convidada para o encontro.

O secretário-geral do PCP ironizou que, como “a coragem é tanta”, o Governo decidiu “deixar de fora do debate a CGTP”, porque não quer ouvir que, “perante a ofensiva, o que é preciso é alternativa, perante a precariedade, o que é preciso é estabilidade, perante o aperto, o que é preciso é mais salários, perante a vida dura, o que é preciso é uma vida melhor”.

“Não querem ouvir, mas vão ter de ouvir”, afirmou.

Paulo Raimundo acusou ainda o Governo de “vassalagem” aos patrões e de querer com as alterações à lei laboral “dar mais força àqueles que mais força têm”, “espezinhar os mais desfavorecidos e os tão mais fragilizados”, aumentar a precariedade, permitir despedimentos sem justa causa e a desregulação dos horários de trabalho.

O secretário-geral do PCP fez também uma alusão a declarações recentes do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que pediu aos parceiros sociais e aos partidos da oposição que tenham “coragem para mexer e para mudar” na legislação laboral.

“Coragem não é dar força àqueles que mais força têm. Isto não é coragem, isto é cobardia. Coragem é ter força, firmeza e determinação para fazer aquilo que se impõe, aumentar salários, aumentar a estabilidade, dar possibilidades de quem aqui vive e trabalha ter uma vida melhor e, em particular, aos jovens para que cá estudem, para que cá vivam, para que cá contribuam, para que cá trabalhem, porque fazem falta ao projeto no nosso país”, defendeu.

O líder comunista considerou ainda que “a opção de roubar direitos é tanta que PSD e CDS, Chega e Iniciativa Liberal querem, ao serviço e sob a voz e comando do patronato, impor o pacote laboral”.

“É caso para dizer, por vontade deles, o que não vai pela porta vai pela janela”, afirmou, salientando que “coragem é respeitar quem trabalha, quem põe a economia e o país a funcionar”.

Paulo Raimundo voltou a defender também a fixação de preços dos combustíveis e bens essenciais para atenuar os aumentos devido à guerra no Irão, uma das várias propostas que o partido entregou no parlamento.

“Vamos ver como se vão comportar esses das lágrimas de crocodilo, esses apoiantes da guerra, esses apoiantes da caminhada e da loucura da militarização”, disse.