Pedro Santa Clara afirma ao Jornal Económico que a Nova School of Business and Economics, mais conhecida por Nova SBE, deve saber ler os sinais da decisão do novo reitor e sair da Universidade Nova de Lisboa, na qual se integra.
Numa reação à decisão de Paulo Pereira de obrigar as Faculdades da Universidade a ter o nome em português, o antigo aluno e professor catedrático da Nova SBE, que durante seis anos liderou o projeto do novo campus e a grande expansão e internacionalização da Escola, onde não tem atualmente nenhum cargo dirigente, reage com profunda indignação: “É um ato hostil contra a Nova SBE, um sinal de que não é desejada dentro da Universidade. Deveria tornar-se uma escola independente”.
Na prática, a Nova SBE é a principal visada e a principal prejudicada pelo despacho orientador do reitor, que determina que “a denominação oficial de cada unidade orgânica da Universidade deve ser sempre utilizada em língua portuguesa em documentos, plataformas digitais, suportes físicos, atos e procedimentos administrativos”.
A Nova SBE é hoje uma marca internacional de grande prestígio que pontifica entre a elite mundial do sector, o que lhe permite diversificar as suas políticas de angariação de novos alunos de outras geografias dentro e fora da União Europeia e garantir receitas próprias.
No ano letivo 2025/2026 chegaram ao campus mais de 2000 novos alunos de mestrado e de mobilidade internacional, num total de 65 nacionalidades. Destacam-se aumentos nas admissões de franceses, noruegueses e italianos e um aumento da procura de fora da UE, por parte de alunos norte-americanos (+31%) e britânicos (+28%).
A Nova SBE está classificada em 17.º no ranking do Financial Times Best European Business Schools 2025 e tem dois mestrados no top 10 mundial: o Mestrado Internacional em Finanças, que é sexto, e o Mestrado em Gestão, que é quarto. É considerada a maior Escola de negócios alemã fora da Alemanha.
“Não há nenhum caso de sucesso internacional como este em Portugal, fora a seleção nacional de futebol”, salienta Pedro Santa Clara, considerando que o exemplo deve ser acarinhado. O professor vê com grande apreensão esta “medida bacoca, provinciana, de alguém que não tem uma visão minimamente internacional”, que “não entende o alcance que a Escola tem nem o que a sua internacionalização representa para Portugal”.
A Nova SBE tornou-se uma marca global com investimento e esforço ao longo de anos. Uma reversão à “Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa”, pura e dura, levaria à aniquilação da sua notoriedade e exposição mundial. Por sua vez, a redução da quota de alunos estrangeiros proporcionaria um ambiente académico empobrecido e menos recursos financeiros, prejudicando a pesquisa, mas também a atribuição de bolsas. O canudo valeria menos.
Em contrapartida: uma secessão da Universidade Nova de Lisboa parece apresentar menos consequências negativas. A Nova SBE, tal como o INSEAD francês, é uma marca que vale por si própria e, muito provavelmente conseguiria gerar os recursos para se autosustentar.
Pedro Santa Clara diz ainda ao JE que a morte do nome poderá ter “custos irreparáveis” para a instituição e para Portugal e alerta o Governo, nomeadamente o ministro Fernando Alexandre para a necessidade de travar a decisão do reitor Paulo Pereira.