O petróleo está a subir mais de 9% para mais de 79 dólares esta segunda-feira com o escalar da tensão no Médio Oriente. Esta foi a maior subida em quatro anos.
Os EUA e Israel atacaram o Irão no sábado, com Teerão a responder com vários ataques.
Os ataques provocaram a morte do supremo líder Ayatollah Ali Khamenei, afundando navios de guerra e com mais de mil alvos atingidos.
Os responsáveis do Pentágono disseram no domingo a membros do Congresso, numa sessão à porta fechada, que não existia informação de que o Irão planeava atacar o Irão primeiro, noticiou hoje a “Reuters”. A informação contraria uma das principais razões dadas pela Casa Branca para o ataque, com fontes a admitirem que temiam um ataque iraniano.
Donald Trump já admitiu que o conflito pode durar mais de quatro semanas, desde que os objetivos dos EUA fossem atingidos.
A grande questão agora é o que acontece ao estreito de Ormuz onde passa um quinto do petróleo que segue por via marítima, e 20% do gás natural líquido.
A informação por satélite demonstra que já existem petroleiros a acumularem-se em cada lado do estreito com receios de ataque ou por não terem conseguido seguros para a viagem, segundo a “Reuters”.
“O efeito mais imediato e tangível a afetar os mercados de petróleo é se o trânsito no estreito de Ormuz parar, impedindo que 15 milhões de barris por dia de crude cheguem aos mercados”, disse o analista Jorge Leon da Rystad Energy.
“A não ser que haja um recuar na tensão, esperamos uma subida significante do preço do petróleo”, acrescentou.
No domingo, a OPEP+ anunciou uma subida da produção em 206 mil barris a partir de abril, mas este produto tem de passar pelo estreito de Ormuz.
A comparação histórica “mais próxima” é a crise do petróleo da década de 70, que provocou um disparo nos preços em 300% para 12 dólares por barril em 1974
“Isto é apenas 90 dólares por barril a preços de 2026”, aponta Alan Gelder da Wood Mackenzie que prevê uma subida maior com a perda de mais oferta no Médio Oriente.
Entre as maiores perdedoras estão as companhias aéreas, sempre muito sensíveis às subidas dos preços do petróleo.
“Vemos o Brent a negociar nos 80-90 dólares por barril no nosso cenário base, pelo menos na próxima semana”, disseram os analistas do Citi.
“A nossa visão base é que a mudança da liderança iraniana, ou uma mudança de regime, faça com que a guerra termine em uma ou duas semanas, ou que os EUA decidam travar com uma mudança na liderança”, acrescentam.