O Relatório Estatístico 2025 da European Biogas Association (EBA) posiciona o biometano como um eixo estratégico da transição energética europeia, com um investimento estimado de 28 mil milhões de euros até 2030 e Portugal surge no documento como mercado emergente com elevado potencial, mas com necessidade urgente de acelerar o quadro regulatório e de mercado para captar uma fatia relevante deste capital.
Num comunicado enviado pela Floene, maior operador nacional de distribuição de gás natural, o Relatório Estatístico 2025 da European Biogas Association (EBA), que identifica este gás renovável como um eixo estratégico para a transição energética europeia e defende que Portugal precisa de acelerar o desenvolvimento de condições regulatórias e de mercado para conseguir captar uma maior fatia do investimento europeu em biometano previsto para esta década.
De acordo com o documento, o setor poderá mobilizar cerca de 28 mil milhões de euros até 2030, com países como Espanha, França e Itália a liderarem a captação de investimento. Em particular, Espanha destaca-se no contexto ibérico, com cerca de 4,8 mil milhões de euros já planeados. Portugal surge como um mercado emergente, com elevado potencial, mas ainda com necessidade de transformar ambição em projetos concretos e financiáveis.
Entre os principais desafios apontados estão a falta de modelos de receita previsíveis, a lentidão e complexidade dos processos de licenciamento, a necessidade de regras claras para ligação às redes e o reforço dos sistemas de certificação e garantias de origem.
O relatório sublinha que a produção europeia de biogás e biometano já atinge cerca de 232 TWh, equivalente a aproximadamente 22 mil milhões de metros cúbicos de gás. Neste contexto, o biometano destaca-se por ser uma fonte renovável, de produção local, armazenável e compatível com as infraestruturas existentes, podendo substituir o gás fóssil sem alterações do lado do consumidor.
A EBA destaca ainda o potencial transversal do biometano no consumo energético europeu, podendo responder a cerca de 32% das necessidades no setor dos transportes, 26% no consumo residencial e 25% na indústria.
No setor doméstico, o biometano permite reduzir emissões sem exigir a substituição de milhões de equipamentos já existentes, uma vez que estes são compatíveis com este gás renovável. Além disso, soluções híbridas — que combinam diferentes vetores energéticos — podem ajudar a aliviar momentos de maior pressão sobre o sistema energético.
Na indústria, onde a descarbonização apresenta maiores desafios, o biometano surge como uma alternativa viável ao gás fóssil, podendo ser utilizado em processos de alta temperatura, como nos setores do vidro e da cerâmica.
Já no setor dos transportes, especialmente nos segmentos mais difíceis de eletrificar, como o transporte pesado e marítimo, o relatório destaca o papel do bio-CNG (gás natural comprimido) para frotas e logística regional, e do bio-LNG (gás natural liquefeito) para transporte de longo curso e marítimo, onde as limitações das baterias ainda são significativas.
Outro benefício relevante prende-se com o digerido resultante da produção de biometano, que pode ser utilizado como biofertilizante na agricultura, reduzindo a dependência de fertilizantes sintéticos importados por Portugal e pelos restantes Estados-Membros da União Europeia.
Este crescimento ganha particular relevância num contexto de instabilidade geopolítica e elevada volatilidade dos preços da energia, agravado por tensões recentes no Médio Oriente, que voltam a evidenciar a vulnerabilidade energética europeia. Atualmente, mais de metade dos combustíveis consumidos na Europa são importados, incluindo cerca de 90% do gás natural.
Neste enquadramento, o relatório conclui que Portugal tem condições para acompanhar esta dinâmica europeia, desde que consiga criar rapidamente um ambiente regulatório estável, previsível e atrativo para o investimento, permitindo o desenvolvimento de projetos à escala necessária.
A Floene gere nove concessões regionais e locais — Beiragás, Dianagás, Duriensegás, Lisboagás, Lusitaniagás, Medigás, Paxgás, Setgás e Tagusgás — e abastecendo cerca de 1,13 milhões de clientes, o equivalente a 72% do mercado, em 106 municípios de Norte a Sul do país, através de uma rede com cerca de 14.000 quilómetros.
A empresa posiciona-se como um dos principais players europeus no setor energético, assumindo um papel ativo na transição energética em Portugal, através da sua experiência e de infraestruturas preparadas para integrar e distribuir gases renováveis de forma segura e eficiente.